sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Revelações restauradoras

As discussões no plenário do Supremo Tribunal Federal, antes do julgamento do Mensalão, sempre  televisado, era 'traço no ibope', ou seja, a audiência costumava ser mínima.
Naquele tempo, a quem se detivesse na tela da TV Justiça durante os julgamentos do STF, parecia  observar um aquário, no qual a vida subaquática era objeto apenas de curiosidade, sem vínculo com o cotidiano do espectador. Um compartimento distante a exibir códigos ininteligíveis.

A Ação 470 trouxe à luz o que havia de vaidade, exibe as diferenças pessoais e revela as tendências políticas.

Antes de serem os bate-bocas escândalos desacochados, pode-se entrever uma limpeza - o que o linguajar comum poderia chamar de freio de arrumação, aquele que no momento de um desconforto geral num transporte coletivo com excesso de passageiros gera uma parada brusca a ameaçar lançar todos ao chão. Rapidamente  após o caos, faz surgir os espaços antes inexistentes e o apinhado veículo passa a respirar.

Isto nos faz pensar - naqueles tempos das bonanças aparentes - quantos julgamentos foram feitos e quais forças estranhas puderam interferir no resultado.

A exposição da humanidade de cada um, antes de enfear o até então sisudo e distante Tribunal, traz um sopro de vitalidade, abre o a cortina do palco - antes insuspeitado - onde se passa o enredo de nossas vidas diretamente.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Emanuel

As recentíssimas manifestações sangrentas da Síria têm sido relegadas a segundo plano após um filme que, ao se referir a Maomé de forma desrespeitosa segundo o que se diz, pôs fogo no mundo muçulmano.

O Alcorão não é uma leitura ofertada facilmente no Ocidente, de modo que muitas coisas que ali estão escritas a maioria de nós desconhece, mas, diante das ações da Al-Qaeda, do Talibã e de outros núcleos de fundo religioso islâmico que têm em suas palavras a orientação para se conduzirem, nos parece que não há ensinamentos naquele livro que levem à reflexão, ao pensamento íntimo, à tolerância, à elevação espiritual.

Chega-nos a impressão - que deve estar errada - que tudo no Alcorão é ação muscular; é reação; é movimento com força e intensidade na defesa da fé a qual se faz necessário.
Parece-nos que a liturgia é muito mais importante do que as práticas que levem a aproximação entre os homens e Deus.

Religião de mãos dadas com espadas, com armas e bombas são coisas que não combinam na essência de tudo.

Esperemos muito que estejamos muito equivocados com o que existe no livro sagrado dos muçulmanos e que a paz seja selada o quanto antes.

Emanuel (Deus conosco!).

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Em tempo:
Excelentes os comentários de Ali Gomaa, a maior autoridade sunita do Egito.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pelo andar da carruagem


http://pt.wikipedia.org/wiki/Carruagem
Carruagem
A reportagem da revista Veja desta semana trouxe um condimento à mais na cozinha de panelas quentes da República. Nela, o sr. Marcos Valério teria confidenciado a amigos e parentes suas dores e dúvidas sobre sua segurança física, despejando sobre o sr. Lula o que vem sendo falado à boca pequena desde da eclosão do agora julgado Mensalão do PT.

O jornalista Ricardo Noblat publicou ontem não haver na verdade a obtenção dos fatos publicados por fontes ligadas ao sr. Valério, mas sim diretamente dele e que há quatro fitas estrategicamente distribuídas para uma eventual divulgação, caso algo violento venha a alcançá-lo.

A dar-se crédito à reportagem e ao volume financeiro de R$ 350 milhões em desvios fraudulentos, isto explica bem por que a Oposição desapareceu durante o governo Lula, fenômeno antes creditado exclusivamente ao carisma do ex-presidente em amedrontar seus confrontadores perante os votos espetaculares conseguidos por ele.

Até agora, à exceção do PSDB que tem supostamente o seu próprio Mensalão - o chamado Mensalão Mineiro em vias de julgamento -, parece haver ramificações das supostas propinas em todos os partidos.

Que o STF julgue e dê punição para todos os criminosos.

E que sejam cumpridas todas as penas impostas.

Pelo andar da carruagem, pelo que o Supremo já condenou até agora, pode ser que, a ser mesmo verdade que a propina calou a Oposição, haverá doravante uma participação maior naqueles que não se alinharão com o Governo.

sábado, 15 de setembro de 2012

Tipo Exportação (2)

O sr. José Maria Marin, presidente da CBF, traz a estarrecedora notícia de que a CBF não tem poder para escolher os adversários para amistosos.

Como o café, a soja e o minério, produtos de exportação brasileiros, o futebol também o é. É uma marca valiosa e assim deve ser tratada, e não diminuída.

Se o contrato com a empresa árabe não permite a escolha de adversários, é um contrato assinado pela parte da CBF através de uma mão criminosa; um crime contra a economia e a honrada tradição futebolística  brasileiras.

Jogar contra africanos desconhecidos, chineses e afins rebaixam o interesse e, por conseguinte, os pagamentos pelos jogos, pois sugere nesta linha que a Seleção Brasileira faz qualquer negócio, como uma meretriz de baixa categoria.

Desabafo apenas


A revista Veja desta semana traz um depoimento do sr. Marcos Valério, no qual ele conta o principal, do envolvimento de todos, de cima para baixo na hierarquia palaciana.

E deve ser mesmo verdade.

Não é difícil dar crédito à reportagem, pois os textos publicados pelos periódicos são como a matemática: são verdadeiros ou não são; não há meio termo; não há verdade parcial num caso destes, pois entre várias revelações sobre crimes basta apenas um para jogar no lixo toda uma biografia.
Como na Ciência Exata, o texto pode ser contestado, mas a verdade não pode ter duas caras.
Esperemos os próximos dias.

Enquanto esperamos as consequências desta reportagem, podemos dizer que a Veja recebe pressões políticas de todos os lados, principalmente na pessoa de seu repórter Policarpo, e não seria nada inteligente inventar palavras a esta altura.

Está sempre muito vigiada e, até agora, como seus desafetos não conseguem dizer que suas reportagens anteriores denunciativas eram falsas, limitam-se apenas a desqualificar a revista, mas jamais replicam sobre o teor que lhes incomodara.

E, até agora, os indiciados por crimes julgados na Ação Penal 470 têm tapado o sol com peneira.

Embora tal desabafo do sr. Marcos Valério não influencie o julgamento do Mensalão, por não poder ser introduzido nos autos, fica apenas como registro histórico.

O profeta a serviço do poder


Parece claro que a invasão às embaixadas estrangeiras nos países do Oriente Médio tem tudo a ver com terrorismo e pouco com religião.

Os países imperialistas são atacados com custos mais baixos nos ataques locais.
A destruição das torres gêmeas em 2001 foi espetacular para a Al-Qaeda - se é que foi ela mesma, mas  pouco importa o nome da organização - e, com o endurecimento das medidas preventivas à entrada de estrangeiros nesses países ricos, ficou muito mais barato atacá-los em suas representações nos países islâmicos. Dá no mesmo em eficácia e dificulta ainda mais a ação dos atacados.

Não há de maneira alguma um ensinamento de Maomé que justifique tais ações.

Fins muito lucrativos



As coisas estão mudando aos pouquinhos, quando isto não deveria acontecer. O tempo urge e deveriam andar mais depressa.

Os políticos brasileiros, como atesta esta declaração do atual prefeito, ainda não entenderam que leis não podem ser flexibilizadas.
Justamente por esta visão distorcida do que é cidadania é que a corrupção chegou ao nível atual.

As mudanças apontadas no julgamento do Mensalão serão um recado claro a todos, o de que não se pode transgredir leis impunemente.
Claro, se alguém for condenado no núcleo político.

Se o sr. Prefeito diz que uma tradição festiva pode sobrepor-se à lei, está trocando a justiça pelo luxo, pois se não houver verba pública para patrocinar um grande evento de interesse financeiro para a cidade do Rio de Janeiro, que se faça apenas um evento.

"- Claro que é desagradável fazer vista-grossa para quem transgride as leis, mas o que fazer se uma festa precisa acontecer, não é mesmo?" - poderíamos interpretar o que dissera.

Para ele é muito desagradável ter de obedecer as leis, como se houvesse escolha.

É a afirmação de sempre de que os fins justificam os meios.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os sertões nos quais vivemos

O Planalto Central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.


Este é um trecho introdutório de Os Sertões, do grande Euclides da Cunha.

Se, por metonímia, entendermos que o sujeito geográfico do primeiro período estampado nesse intróito refere-se à origem da corrupção no Brasil, o simbolismo geológico se adapta perfeitamente entre a origem e o destino de seu fluxo.

Parece que todo o Mal, neste aspecto, vem de Brasília -  poder maior em representatividade da federação, cuja natureza é abarcar todos os estados -, a descer abruptamente para o Sul, onde há mais dinheiro do que em qualquer outra coordenada geográfica em solo brasileiro.

Na próxima semana, o Supremo Tribunal Federal iniciará o julgamento do capítulo que é tratado por Núcleo Político na denúncia apresentada, e esperemos que a justiça seja feita, a fim de que, por também exemplo maior, estanquemos o jorro fétido em seu nascedouro.

Valor maior do que a punição, será o exemplo inibidor de futuras maquinações nefastas, que fazem criar filas em hospitais, choros nas famílias, problemas psicológicos nos desvalidos e aumento no número de covas nos campos santos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Capitu Pernambucana

D. Dilma Rousseff e o sr. Lula, e o PT de resto, não tem no nome do sr. José Serra seu maior adversário. Possivelmente, neste plano, o sr. Fernando Henrique Cardoso incomode muito mais, embora permaneça fora da política partidária, como no episódio recente do artigo do ex-presidente tucano criticando a Era Lula.

A Oposição não mais existe na prática há anos, desde que o sr. Lula venceu as eleições para a presidência da República. Os partidos fora da influência do PT encolheram-se fisiologicamente, com medo de contestar a popularidade vencedora e apagaram de suas ações a única função que tem, que é a de divergir. Fora do poder e fugindo de sua própria natureza, é zumbi.

Está aí, à míngua.

Mas, como nem tudo são flores e é impossível não divergir, resta o fogo amigo, como o caso do governador Eduardo Campos, que, com olhos de cigana dissimulada, vai pondo um pezinho aqui, um dedinho ali, fazendo a divisão na cabeça do partido majoritário de sua coligação, com vistas a 2014.

Como no romance machadiano, não se sabe se o principal personagem foi traído ou não, mas em política tudo é possível e inimigos de hoje serão os fraternos braços enlaçados mais adiante.

Nunca dantes na história deste país?


Vai levar um bom tempo até os brasileiros despertarem para a vida em comunidade, a vida cidadã, e não deixar fazerem-se leis imperfeitas.

Que coisa é esta de flexibilização de lei? Onde já se viu isto fora destas fronteiras?

Parece que o parlamento vive a brincar de legisladores, tarefa menor diante do que consideram importante, o fisiologismo.

Com tantas comissões, com tantos técnicos à disposição, é ridículo uma lei, para fazer justiça segundo o entendimento de quem propõe tal monstrengo corretivo, precisar de reparos, como se fosse versão de computador.

É desanimador ler isto, pois não é um fenômeno específico deste caso, mas um dos indícios básicos do que permeia em todos os cantos da república, o amadorismo que resulta em surpresas ou a má-fé das imperfeições para se tirar proveito delas.

Essencialmente ridículo. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Porta-voz

A sra. Dilma Rousseff sai da altivez do cargo que ocupa para ser porta-voz de um ex-presidente, no caso das críticas do sr. Fernando Henrique Cardoso ao sr. Lula.

O discurso assinado como Presidente da República torna-se uma peça oficial e não cabe a um mandatário sair desta posição para socorrer a honra de terceiros, principalmente de pessoas físicas.

É, talvez, a falta de visão do que representa ser chefe do Executivo o motivo disto. O cargo requer compostura. E esta é uma delas.

Irresponsabilidade

É uma irresponsabilidade, e já não é a primeira vez, fazer-se um discurso como o feito pelo presidente do PT, sr. Rui Falcão, incitando os incautos a se revoltarem contra uma decisão do Supremo.
No fundo de tudo, é esta a mensagem que passa, e nada sutilmente.