quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O congresso

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%ADlia
Brasília
O congresso (assim, em letras minúsculas como ele gosta de ser tratado) vai votar - ou isto propõe - quase três mil vetos num único dia.
Há vetos que são ainda do tempo em que o ex-presidente Lula estava na ativa.

É característico deste panorama político, diante do que temos visto com mais agudeza nos últimos dez anos, a irresponsabilidade e o desmando. Não faltam episódios para rebaixar nosso ajuntamento de parlamentares a uma casa de suspeitos - de às vezes explícitos -  acordos para beneficiar um grupo de representantes de si mesmos.

Os vetos mexem diretamente com o interesse cidadão e é uma irresponsabilidade fechar os olhos para a análise particular e pormenorizada de cada um deles em benefício de um dos últimos da fila de espera.

É a mais explícita afirmação de que os fins justificam os meios, mesmo que os fins não resultem em provável benefício comum.

Como saber se a votação a toque de caixa não trará no seu âmago algo pernicioso para o cidadão brasileiro como um todo, ou como um elemento da maioria? Quais os vetos estarão sendo votados? E qual será a posição do congresso face a cada um deles? Aprovará ou rejeitará?

É um verdadeiro absurdo tudo isto.

Viva o Brasil! - apesar do congresso.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pau que dá em Chico dá em Francisco

O brasileiro, em sua grande maioria, não lê, ou lê muito pouco, quando o foco da análise recai sobre livros. Há pessoas que sequer pegaram em algum mais de uma vez por ano por toda a vida e há nomes conhecidos, fáceis de lembrar, como o de Lula.
No rol de famosos, intuo que a presidente, d. Dilma Rousseff, também não é muito chegada às letras, mas certamente já leu alguma coisa.

José Dirceu
Um parêntese: por que ler é importante? Porque exercita o cérebro a ligar coisas diferentes, porque a leitura enriquece o banco de dados que temos gratuitamente. Quem não lê, não pensa direito; quem não pensa direito não sabe escrever; quem não sabe escrever passa informação torta.

Quando nosso levantamento estatístico vai em direção à leitura diária de jornais, excetuando-se as páginas de fofoca (até na primeira página sai), as de crime, as de futebol e as das novelas, o  brasileiro não toma conhecimento de maneira sistemática - ou não compreende o alcance - das notícias políticas nacionais e internacionais, da importância da Economia, ou simplesmente ignora o segmento cultural.

O sr. José Dirceu esperneia ferozmente. Não quer ir para a cadeia e lança mão de seus últimos trunfos, ou o que considera carta na manga.
Deseja convocar a militância para sair em sua própria defesa, direta ou indiretamente, como neste episódio da cassação dos parlamentares condenados no julgamento do Mensalão.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Maia
Marco Maia
Diz que é preciso fortalecer o sr. Marco Maia, que também esperneia com vigor.

Esquece-se de que o brasileiro não lê esta parte do noticiário, que ninguém está disponível para criticar a corrupção, assim como também apoiar este suposto desagravo, esta defesa estranha que o antigo líder propõe.

O resultado desta convocação só não será um fracasso total porque a CUT e assemelhados, o PT como organização e algumas outras ONGs espalhadas, fretarão ônibus e distribuirão lanches como fizeram tantas vezes para garantir alguma visibilidade.

Mas, se o pau não deu em Chico para cobrar nas ruas o fim da Impunidade - uma instituição entre nós - e a extinção de sua filha, a Corrupção, não será agora que dará em Francisco, na hora de uma outra borduna desce no lombo dos criminosos.

Quem viver verá.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais um vez

A frase é tão velha quanto a Bíblia, mas os Estados Unidos fazem questão de renová-la todos os anos: quem com ferro fere com ferro será ferido.

Um massacre aconteceu hoje. Mais um. O sr. Obama chorou ao falar dele. Acreditamos sinceras as lágrimas do presidente americano.
E as outras lágrimas, as das mães e dos pais das crianças mortas?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arma_de_fogo
Arma de fogo
Os americanos fizeram fortuna pelo comércio de armas e as ostentam para consumo próprio com muito orgulho.
Sua frota naval de superfície e submarina, além das esquadrilhas, estão sempre ostentando seu poder intimidatório, preventivo, a quem ousar barrar-lhes a pantagruélica fome por recursos a bancar sua existência perdulária.

Invadiram a Coréia, o Vietnam, o Panamá, a Ilha de Granada e o Iraque, onde morreram milhares de seus jovens a troco de continuarem a ter supremacia comercial, enquanto se diziam libertadores.

Há sempre pólvora à frente da moral e das ações americanas. E as lágrimas dos pais das infelizes criancinhas estão cheias deste pó infernal. Muitos deles certamente têm armas em seus armários. Seus filhos as veem, crescem e acham que devem continuar a tradição.

Praticamente, o direito de um cidadão comprar e manter armas em casa é sagrado, afora a influência do poderosíssimo lobby dos fabricantes a favor desta situação.

E tanto é grande o amor daqueles cidadãos por estes instrumentos inúteis à boa convivência, à amizade, que  chegam ao limite de valorizá-los ainda mais do que a vida de seus próprios filhos.

Irão aprender, mas vão demorar a ver isto.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Inflação

Possivelmente, com a condenação mesmo que simbólica do sr. José Dirceu, o quadrilheiro-chefe condenado até então pelo Supremo Tribunal Federal, o preço das propinas subirá.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Dirceu
José Dirceu
Isto porque, claro, ficará mais difícil - menos fácil talvez seja a palavra - roubar dinheiro público e, assim, doravante o político ou funcionário público de carreira que se sentir tentado irá pensar duas vezes antes de aceitar algum negócio desses.

Pedirá valores mais altos para participação num esquema, o que poderá indicar maior volume desviado.
Menos gente roubando, mas com maiores recursos envolvidos, dá o mesmo produto.

Contrariando o que foi dito - data maxima venia, sr. Ministro Dias Toffoli -, a pena de prisão é uma boa ajuda para interromper este fluxo fétido.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estranhos conceitos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dias_Toffoli
Dias Toffoli
O sr. ministro Dias Toffoli fez um discurso inflamado no plenário de hoje do Supremo Tribunal Federal. Disse que é contra dosagens punitivas elevadas na restrição à liberdade dos réus condenados, mais afeitas à idade medieval.
Defende a punição pecuniária como mais incomodativa que a reclusão.

Poderíamos perguntar ao douto ministro se, em caso de corrupção financeira, como foram todos os casos condenados, com qual numerário pagarão as pesadas multas sugeridas por ele?

Com os recursos oriundos dos desvios do dinheiro público, ou com o dinheiro limpo ganho com o suor de cada rosto indigitado pelo braço da lei?

Senhor ministro, por favor, aclare-nos com sua sabedoria. Saberá, por exemplo, se os recursos usados a título de indenização ao estado é de uma dessas origens ou de outras? Pagará o réu condenado com a parte subtraída dos cofres públicos à guisa de devolução e estará livre, e, por consequência, sem nenhuma pena por causa disto?

Sr. ministro, deveremos poupar-lhe das dificuldades de responder estas singelas perguntas e, se Vossa Excelência assim achar adequado, poderá mudar seu voto até o fim dos trabalhos.

Obrigado por vossa atenção.

A igreja do diabo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Diabo
A tentação de Cristo
Quando vejo um político do PT defender os criminosos condenados pelo STF no caso do Mensalão, lembro-me de um conto do grande Machado de Assis, chamado A Igreja do Diabo, no qual desfia a história do Satanás que, invejoso do sucesso de Deus entre os homens, quis fazer uma igreja só sua.

Para isto, o Canhoto fez seus estatutos invertendo quase todos os cânones cristãos, menos o da união entre os seus crentes, pois, sem ela, não poderia chegar ao êxito de multidões, naturalmente.

Se havia um código, dariam como legítima a empreitada, que é mais ou menos como falam em defesa do sr. José Dirceu e companhia, pois o estatuto da impunidade é o que mais lhes aquece o coração.

Diz, num de seus trechos:

As turbas corriam atrás dele, entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.
Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outro destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo?
Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? Não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? E o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou a expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

Mas o Diabo teve uma grande decepção, pegou alguns antes fiéis fazendo o bem às escondidas.

Foi queixar-se a Deus, que lhe respondeu para levar sempre em consideração as fraquezas humanas.

E, vejam só, bastou o STF contrariar os estatutos pelos quais vêm rezando há décadas, se não séculos, para virem todos se queixar da injustiça das coisas.


sábado, 3 de novembro de 2012

Primaveras

Uma notícia do Estadão diz que, pela reportagem do analista Jamil Chade, poderá haver uma Primavera Árabe na Europa, caso os sacrifícios feitos pelas populações dos países endividados não sejam recompensados.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_m%C3%A9dia
Máscara da Alta Idade Média
Mas, mesmo que haja uma revolta e se tomem os governos à força, sendo as cabeças mudadas, de onde tirarão, os novos mandantes, recursos para satisfazer a necessidade desses povos?
Trocado o governo, o que o novo faria? Assaltaria a Alemanha ou a França? E com quais recursos mobilizariam seus exércitos?

Fora o tempo e o rebaixamento da qualidade de vida para esses infelizes, levados ao estado atual por governos irresponsáveis como um todo, embora bem intencionados individualmente, parece não haver saída para os europeus.

Mas é a marcha da História, não há como evitá-la.

A prosperidade centenária trouxe esquecimento de como era a vida na proximidade da Idade Média.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Muda Brasil!

O sr. José Serra afirma que não é necessário mudar nada no seu partido, o PSDB, outrora o maior de oposição ao PT.
pt.wikipedia.org
Fernando Henrique Cardoso
A Oposição desapareceu e com ela o multipartidarismo, enterrado pelas coligações interessadas apenas no aluguel, no pagamento dos favores à meia-luz.
Se antes se pensava no encolhimento das vozes contrárias e necessárias à governabilidade como fruto do apequenamento causado pela popularidade do lulismo, o julgamento do Mensalão trouxe à luz a outra possibilidade, a da compra e venda da honra parlamentar.

Mudar é preciso. O conservadorismo deve ser aceito como pontual, apenas. Afora esta transitoriedade, vem o risco da escamoteação, a ocultação das mazelas que minam a nação como um todo.

pt.wikipedia.org
José Serra
Mudar é necessário; o devir não se pode conter.
Heráclito, há milênios, disse que um homem não entra no mesmo rio duas vezes, pois, na repetição, nem ele e nem o rio são os mesmos.

pt.wikipedia.org
Aécio Neves
Enquanto o PSDB - se ainda tiver forças para reverter a jornada descendente de referência nacional de voz alternativa - contiver cabeças aliadófobas, estará mais para a Hidra de Lerna, mais para irmãos Chang e Eng, do que propriamente para o desejável cefalópode político.

Os discursos fora do período de eleição, os quais por regra forçam a unicidade, pronunciados por seus líderes frequentemente, exacerbam a vontade dos palcos e, com tantos astros e poucos maquinistas, a coisa não se sustenta.

Na verdade, nosso país carece de mudanças. Uma o STF já ordenou. E já não era sem tempo.

Lógica?

Sr. Rui Falcão
O presidente do PT, sr. Rui Falcão, não se cansa de nos surpreender com lógica de consumo próprio. Neste reino da fantasia, do qual é vassalo e vizir, pode propor o que bem quiser.

Não é à toa que Brasília sempre foi chamada de a ilha da fantasia, e o presidente do partido é cliente do sr. Rourke, o bruxo por detrás do resort da antiga série de tevê.
Nela magina o que quer e fala o que lhe vem à cabeça; se esforça em materializar o que, no fundo, sabe não existir. Tem platéia, entre os seus.

Disse que o PT vai provar que não houve compra de votos...

Pode-se provar que uma pessoa não roubou algo achando o verdadeiro culpado, mas provar que o dinheiro que se apresente claramente numa gaveta não foi roubado é inútil. É confusão mental, a lógica passa ao largo. A coisa está resolvida antes da questão.

Que o sr. Falcão encontre e prove que os culpados são outros. E que livre os corruptos rotulados pelo STF, seus correligionários, da cadeia.

Possivelmente, acredita falar para os que têm a estatura filosófica semelhante à da física do personagem Tatoo.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Voçorocas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vo%C3%A7oroca
Voçoroca
O PT surpreende mais uma vez.

Contrariando o estatuto, cujo artigo sobre expulsão não deixa margem a dúvida, o partido anistia os condenados pelo STF e vai mais além: deseja conduzir um deles, o sr. Genoino, à Câmara dos Deputados em enfrentamento ao  Supremo Tribunal Federal, um dos órgãos de um outro Poder inalcançável aos interesses imediatos de corruptos.

É a velha política(gem), cujos novos ventos refrescantes ainda não enfunaram suas velas.

Que o partido tem direito a ter seu estatuto e com os artigos que desejar pode ser óbvio, mas é moralmente danoso rasgá-lo ao sabor dos acontecimentos.

Como as voçorocas que avançam paulatinamente removendo substância de terrenos, atitudes como esta têm seu preço no futuro, quando a revogação de hoje poderá ser necessária também noutra situação doravante insuspeitada.




terça-feira, 30 de outubro de 2012

Postes

O eleitorado paulista deve ter ficado numa saia justa desumana. Teria de escolher entre um poste novo, mas considerado contaminado em sua base por substâncias tóxicas de malufismo, e um outro, enferrujado, com as ferragens à mostra, um tanto pendido, mas acreditando-se o máximo em firmeza, em pura exacerbação da pavonice ridícula.


Bem que os responsáveis poderiam ter substituído tais estacas por outras, menos perigosas à saúde política, mas as paixões se sobressaem na política muito mais do que nas manutenções lógicas.


Não havendo em estoque postes melhores, são esses mesmos é que são postos de pé, próximos entre si, torcendo para que a ferrugem e a aparência suja façam seu trabalho e derrubem o outro.

Possivelmente, os eleitores escolheram o poste novo porque acreditaram na possibilidade de se usar o que ainda não se deteriorou.

Difícil escolha. Ambos tinham os pés comprometidos.

Questão de tempo? Veremos que cartazes serão colados no que sobrou.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Plantação e colheita

Culpam-se as políticas de defesa pública dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro pela onda de crimes que acontecem na capital bandeirante e em Niterói.
É apenas exploração política do momento, a mesma política que ensejou justamente esta onda de crimes.

Por décadas Brasília sinalizou, executou e exportou corrupção e suas impunidades, e o resultado não poderia ter sido outro.

Diz-se também que o estado é ausente. Não é não. É participante, é comparsa, é criminoso tal qual a milícia que o representa no fim da cadeia criminosa, cuja gênese dá-se no mais alto escalão do governo, como se viu pelas condenações do STF.
Começou com outros no passado, chegou ao auge com o sr. José Dirceu, símbolo maior do poderio soberbo, até Jerominho, vereador do Rio de Janeiro. É clara a pirâmide.

O exemplo veio de Brasília e suas consequências estão fora de controle, pois o contingente, a rede de corrupção e os crimes de sangue, é muito maior do que a capacidade das forças organizadas por detrás da letra fria do código penal inibir.

Cabe a nós, eleitores, mudar isto, mais uma vez. Através do nosso voto, devemos desentocar as ratazanas.
Mas devemos ter uma reforma política e acabar com muitas coisas e, dentre elas,- apenas um exemplo - com a figura do suplente, que nem sabemos quem é.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem vai pôr o guizo no pescoço do gato?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Trabalhadores
PT
Reza o artigo 231, inciso XII, do estatuto do PT  que, em caso de crime transitado em julgado, o membro deverá ser expulso.

No artigo 232 do mesmo estatuto diz que "A representação deverá ser feita por filiado ou filiada, em petição escrita, motivada e circunstanciada, acompanhada das provas em que se fundar e da indicação do rol de testemunhas..."

A pergunta é: quem do partido vai ter coragem de propôr a cassação da carteirinha dos graúdos Dirceu, Genoino e Soares e o consequente envio da documentação à Justiça Eleitoral?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Erro judiciário

Araguari
Araguari - terra dos Irmãos Naves, o mais famoso erro judiciário  no Brasil
Pelo que dizem os srs. Dirceu e Genoino (e possivelmente o sr. Soares), erros judiciais estão ocorrendo a mancheias no Brasil.

Só concordam com as absolvições de alguns, liberações tidas como corretas, é claro.

Não aceitam a condenação por um colegiado e absolvições apenas por dois ministros - no universo de dez votos.

Para eles, a independência de poderes é apenas retórica.  Publicam, para seus pares e militantes-seguidores, a ideia de que tal separação é apenas uma formalidade e que, como tal, deveria estar a serviço de suas defesas.

Boquiabertos, olham para o passado centenário do Brasil e não veem nenhum colarinho-branco republicano ser preso por corrupção e muito menos um capitão de alguma Hereditária ter seu direito de ir e vir tolhido. E, perguntam-se, por que logo eles? - Não é justo! - bradam. - Queremos isonomia criminal! Se ninguém foi sequer processado historicamente, como podemos ser condenados? - reclamam.

Digo-lhes, aguentem com galhardia. Logo, logo os tucanos e assemelhados farão companhia a todos vocês.




Seguro, morreu de velho...

Há notícias de que o sr. Barack Obama venceu estatisticamente os confrontos pré-eleitorais dos Estados Unidos. Havia perdido um, sob o mesmo foco.

O sr. Obama parece firmar-se na corrida eleitoral e isto se deve, provavelmente, à sociedade americana que viu o desempenho do atual presidente durante a maior crise desde 1929.
Bem ou mal, o sr. Obama passou no teste.

O sr. Romney, por outro lado, tem um certo ar de oportunista, de candidato sem muito estofo, fruto de marketing.

O tempo vai dizer, mas está parecendo que o sr. Obama é o Fluminense no Brasileirão de 2012: está com uma das mãos no caneco.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O mesmo de sempre

Reuniões de Lula no Palácio da Alvorada? Reunião com Palocci em uma das sedes do Governo? O que será que anda acontecendo na cabeça dessa gente?

sábado, 13 de outubro de 2012

Casa da Dinda, ou da Mãe Joana?

http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2012/10/o-jardineiro-e-por-nossa-conta.html
Reproduzido da revista Época

A revista Época trouxe uma reportagem sobre o senador Collor e uma suposta apropriação do que não lhe pertence, na figura do uso dos serviços particulares de um jardineiro pagos com o dinheiro público.

Para que um corpo entre em movimento, é necessário energia; para impedir que continue em movimento, idem.

O recado do STF tem pouca força para alertar parlamentares de longa data de que os ímpetos não podem continuar como estão.

Talvez algumas grades no caminho dos políticos que gostam de uma vantagem indevida diminuam o movimento deste corpo acostumado às calhas marginais da pista da lisura.
Mas onde estão esses anteparos?
Na dosimetria do Mensalão?

Talvez diminuam, efetivamente, se postos em reclusão, mas grades são anteparos vazados.
Alguma coisa da prática antiga vai continuar como sempre.
Mas também inibição completa da avidez por vantagens é pedir demais! A diminuição de ímpeto já fica de bom tamanho.

Mas só para os futuros parlamentares, quem sabe? Para os novos, somente.

Talvez.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reserva de mercado

A sra. Dora Kramer no Estadão de hoje salienta o alto índice de votação silenciosa nas últimas eleições, quando aproximadamente 25% dos eleitores puseram seu voto no nulo ou no branco.

Acredita a jornalista que este grande contingente reage à ideia do voto obrigatório, mas, de minha parte, não acredito que seja este o motivo que os impede de escolher um nome.

Há muito que a política brasileira se mostra alheia à representatividade popular, mas totalmente engajada na auto-representação.
Este distanciamento do eleitorado se mostra cada vez mais claro.

Quem sabe sejam protestos, os dos que não concordam com a existência da profissão?

Por exemplo, para que tem servido as câmaras municipais, além da já aludida interiorização de interesses de seus membros na própria sobrevivência política, mesquinha e individualizada?
Veja também a quantidade de nomes candidatos nesta última eleição para vereador! Serão tantas cabeças interessadas em fazer leis municipais e fiscalizar o Executivo?
Nem de longe!
Desejam é a renda fácil e farta.
Acima de tudo, a benesse extra de não ter de dar satisfação a ninguém, como tem sido.

O voto obrigatório, lembra a jornalista, é que faz o desinteresse do político de conquistar um eleitorado, pois já o tem de um jeito ou de outro. Não precisa trabalhar para expor suas idéias. 
Faz todo o sentido. É uma reserva de mercado para os candidatos.

Há sempre aqueles que acreditam que a eleição exige um nome, que é feio votar em branco ou nulo, pois - dizem os políticos e muitos outros - que nosso direito ao voto foi conquistado com muita dor e que, por isto, não pode ser desprezado.
Desprezado não pode mesmo, mas ser errado votar nulo ou em branco é muito discutível.

Assim, seguimos com o único jeito de curvar-nos à lei e ao mesmo tempo protestar contra a existência da profissão.

E é bem verdade que os políticos não desejam conquistar o que já é deles, pois a plataforma não existe; não há ideias a apresentar e debatê-las.

Basta candidatar-se e falar mal do adversário, para diminuir-lhe o número de votos. Só isto; o resto já está feito.

Criminosos do exercício de 2004, ano-base 2003

Os ministros do STF terão uma questão pela frente: os condenados ficarão sob o que diz a lei de antes de 2004 ou não? Serão penalizados pelo que diz a lei de 2004 ou pela que vigia até 2003?

Estão sendo julgados os criminosos de 2003 ou de 2004?

Possivelmente os de até 2003, pois é vedado a qualquer cidadão desconhecer as leis. Como a lei não existia em 2003, não há como condenar alguém por qualquer acusação sem haver respaldo no código. No caso, não havia lei a se conhecer em 2003, data do início do processo.

A diferença principal entre a antiga e a nova é que os condenados poderão ficar fora do regime fechado, uma vez que só irão para a cadeia aqueles que alcançarem uma pena de oito anos. A lei antiga limitava em oito  o teto máximo, mas, pelo lado humano dos juízes e pelo ineditismo de se condenar alguém do alto escalão político, já se considera de bom tamanho dar uma pena intermediária, coisa inimaginável há anos.

Portanto, o sr. José Dirceu, o sr. Delúbio e o sr. Genoino, assim como todos os demais réus, poderão ficar no regime semi-aberto ou coisa que o valha.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sabedoria e honradez obductas

O sr. José Genoino diz-se injustiçado, e que alguém como seu passado não merece ser condenado por suas ações consideradas criminosas pelo STF - quis dizer isto, no fundo, no fundo de suas palavras.

Ou seja, as boas práticas anulam as más, segundo seu entendimento. Quis dizer que, se se passa a vida toda sem pisar na cadeia, ao fim dela pode-se agregar-se em quadrilha que nada pode acontecer de punitivo ao autor.

O sr. Genoino foi um guerrilheiro. Viu, segundo ele próprio, o lado ruim da ditadura - se é que há algum lado bom neste tipo de regime - e teve uma vida de lutas para sobreviver na selva da competição.

Isto nos suscita uma pergunta: será que a sabedoria grangeada por toda uma vida oblitera o senso de proporcionalidade a ponto de não se conhecer um crime mesmo pegado a pessoas muito próximas?

Muito estranha sabedoria.

Reich de mil anos

Seja qual for a interpretação da palavra 'Reich' do alemão, se reino, riqueza ou império, tanto faz, pois acaba caindo quase na mesma coisa.

Os nazistas queriam que o poder da Alemanha, desde que sob a orientação do partido e perante as outras nações da Terra, durasse mil anos.

Mantidas as devidas proporções, o projeto do PT através do Mensalão e desdobramentos disto, tinha este mesmo viés, o de permanecer no poder indefinidamente.

Os sonhos megalomaníacos, felizmente para todos, não dão certo. E não por ação exógena, mas justamente pela ação interna por um motivo ou outro.
Ora pode ser por ambição por cargos, depois pela repartição do butim, e mais depois por outra coisa qualquer, tudo na luta interna dos grupos.

Quando a luta é legítima, os desarranjos estruturais dos partidos, das organizações em geral, também acontecem, mas os resultados são diferentes daqueles baseados em corrupção.

Lutas entre ladrões são muito mais sangrentas do que as de simples adversários.

Assim, não foi o STF que desbaratou a quadrilha, mas a ambição desmedida, aquela que trouxe, entre outros acintes à inteligência coletiva, as reuniões dos corruptos às salas do Palácio do Planalto, tudo às claras, como iluminadas eram as inocentes afirmações de que o crime do caixa-dois é dispensável de punição.

Somente a impunidade - e a corrupção sem freio dela advinda - poderia mesmo levar ao Supremo, praticamente de bandeja, todos os que se achavam acima da lei.

Hitler morreu desmoralizado, após seu sonho de tudo poder. Foi o extremo das coisas.

Simbolicamente, o PT suicidou-se com uma capsula de cianureto fornecida pelo sr. Roberto Jefferson, um dos condenados participantes.



Altruísmo

O deputado Carlos Lereia deu seu depoimento à moribunda CPMI do Cachoeira e disse que não sabia disto ou daquilo.

Quanto mais lemos a respeito das ligações dos parlamentares com o sr. Carlos Cachoeira mais nos vemos boquiabertos com a amizade, desprendimento e altruísmo do contraventor.

O sr. Lereia tinha apenas relações de amizade com o sr. Cachoeira, motivo pelo qual pegou dinheiro emprestado com ele. Não foi a um banco, porque certamente os juros sairiam muito mais altos, o que demonstra mais uma vez a amizade do cedente, que abriu mão de receber os juros de mercado.

Não é à toa que o sr. Cachoeira tem tantos amigos, pois é um amigo de todos.

Provavelmente para aqueles que não têm receio de pegar dinheiro emprestado a um indiciado pela lei, seria possível qualquer pessoa bater à porta da casa do sr. Cachoeira e sair de lá com os bolsos cheios de dinheiro, oriundos de empréstimo de pai para filho.

Vai ser amigo assim lá na China... Bem, na China pode ser que não. São severíssimos por lá com contraventores.

Arejamento

A condenação da alta cúpula do PT do tempo do Mensalão traz, mais do que a punição individual, uma nova era nas interpretações judiciais contra os crimes do colarinho branco.
O que foi condenado realmente é o paradigma nocivo que a política brasileira centenariamente vinha exibindo, que é o de que os crimes contra a coisa pública fiquem fora do alcance da lei.
Não mais.

A dosimetria que se seguirá às condenações poderá minimizar os efeitos da severidade apontada pelos juízes durante o julgamento, mas a jurisprudência permanecerá.

Isto é muito bom para todos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Plantando ventos e colhendo tempestades

O jornalista Ricardo Noblat, através do seu blog, reproduz, segundo ele, um diálogo entre o ministro do Supremo Ricardo Lewandovski e alguns advogados.

A meu ver, é mais do que um simples comentário. É uma denúncia, pondo no papel aquilo que muitos disseram obliquamente, a que atrela as decisões do ministro a votos de gratidão.

Caso seja verdade o publicado, o sr. Levandowski apresenta a contrafatura por ter dado votos favoráveis, entende-se pelo texto, a quem não podia, quando diz, para os próprios advogados dos réus (presume-se) que absolvera, para protegê-lo dos ataques diversos que tem recebido justamente pelas suas decisões.

Adiante, como reforço do sentimento de culpa pela absolvições, diz que o Ministro entrou pelos fundos para votar e cercado de seguranças.

Noblat não é marinheiro de primeira viagem e não publicaria, certamente, coisas assim tão contundentes sem algum respaldo para sua própria segurança profissional.

Enquanto não soubermos se as palavras do jornalista que captaram algo estranho à função de juíz são verdadeiras, um ou outro poderá colher tempestades muito brevemente, diante dos fatos.

Esperemos que a justiça seja feita para qualquer caso. Fora dela não há salvação para nenhum de nós.

domingo, 7 de outubro de 2012

Investimento gato por lebre

Aí vem a tecnologia 4G para celulares e modems em geral. E para quê, se a 3G mal funciona?

Dizem os especialistas que, por ter uma frequência maior do que a da 3G, vai requerer mais antenas, mais equipamentos e, a sete meses de ser implantada segundo o planejamento (?) governamental, sequer encomendaram os equipamentos.

O motivo de 3G não funcionar, além do descaso que as teles e a agência reguladora (?) costumam ter para com os brasileiros, tem raízes na promessa de maior velocidade por esta tecnologia no passado, cobrança de preços correspondentes ao pleno funcionamento e o não cumprimento do serviço pago por justamente não ter equipamento e  antena necessários.

Ora bolas, se não temos a atual, vamos pagar por 4G e receber o equivalente a 3G, isto é, velocidade inferior, a da tecnologia anterior?


O Brasil, conforme minha opinião em publicações anteriores, incentiva amiúde os setores industriais de linha branca e de automóveis, mas não investe na base. Isto, parece-me, é miopia planejadora, cujo ministério associado, pelo menos visivelmente, não existe.

A necessidade de comprar equipamento no exterior, importar a tecnologia correspondente, é a aludida miopia, que não incentiva os cérebros nacionais, inibe a pesquisa e não obtém a consequente descoberta de novos produtos e serviços.

E nossa dependência tecnológica continua robusta.

Ponto de vista


O sr. Tarso Genro disse que o julgamento do mensalão trouxe reflexos negativos para o PT.

Poderia ter dito que as condenações trouxeram reflexos negativos para o partido, seria honesto e correto.

Toda a vez que se fala nisto há a impressão de que o julgamento por si mesmo - e não pelas causas e consequências dele - é que é importante, aquilo que prejudica o PT.

Fala de imagem.
Poderia pensar mais no miolo do partido, na sua essência, no que tem feito na última década.

O que causa danos à imagem do PT é a condenação, pois, do contrário, em caso de absolvição, seria uma triunfante força para as eleições.

sábado, 6 de outubro de 2012

Emocionante

O rigoroso empate nas pesquisas para prefeito da cidade de São Paulo, publicado agora pela Folha de São Paulo, vai atrair os olhares de todo o Brasil que se interessa por política.

A competição dos candidatos Serra, Russomano e Haddad, nesta ordem, segundo os índices decrescentes  respectivamente nas pesquisas em votos válidos, será a mais emocionante - para quem acha a política emocionante também - do país.

Não terá graça a eleição de Eduardo Paes, por exemplo, segundo também as pesquisas para o Rio de Janeiro. Paes deve ser eleito no primeiro turno.

A conferir.

Casuímos econômicos

O governo brasileiro tem se mostrado muito preocupado com a fabricação de automóveis e, ano vai, ano vem, lança um pacote econômico visando as montadoras de automóveis.

Recentemente, deram incentivo ao setor via IPI e agora falam em investimento.

Será que o Brasil é somente automóveis para setorizar tanto as ações desenvolvimentistas, que sequer têm boa aceitação entre os técnicos e até mesmo pelo  próprio setor, que, ciclicamente, ao sair tais pacotes, tem alguma coisa a reclamar?
Além disto, é uma parte da indústria que mais apresenta automação, de modo que o aumento de emprego visado também poderá não acontecer - enquanto o dreno das verbas acontece.

Onde estão os projetos de base, aqueles que formam cientistas e técnicos nas mais diversas áreas, isto sim base de sustentação perante o mundo?

O Ministério do Planejamento parecer ser um órgão à reboque dos casuímos econômicos.

Pau que dá em Chico, dá em Francisco também

Do blog do Josias de Souza, o STF se prepara para julgar o Mensalão Mineiro, o do PSDB.

Não podemos deixar de acompanhar também este julgamento com a mesmo empenho opinativo do que o ora em curso, o do PT, mesmo porque alguns agentes são os mesmos, como Marcos Valério e os dirigentes do Banco Rural. Trata-se dos mesmos crimes, com as mesmas roupas e mais outras como novidade.

Não é possível que as punições, caso sejam provadas as faltas, possam ser diferentes das aplicadas aos criminosos no julgamento em curso e, pelo que entendemos, será igual.

Não há mais como tolerar a política suja. Chega disto.

Dinheiro

A reportagem do Estadão fala numa futura escassez de recursos pelos quais as prefeituras poderão passar, conforme opinião da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que reclama das responsabilidades exigidas pelo governo federal e na retenção de verbas destinadas aos municípios.

O que nos preocupa como eleitores não é a falta de verba por repasses oficiais às prefeituras, mas a dívida de campanha assumida pelo prefeito eleito.

Isto tem sido um foco de corrupção que ora tentamos estirpar.

As fichas caíram


A confluência de fatos que desaguaram no julgamento do Mensalão demonstra que a sociedade brasileira cansou-se dos crimes antes pressentidos e, de certa maneira, consentidos.

Enquanto no plano platônico, tolerava-se a inevitável e centenária corrupção, mas quando ela veio mostrar sua cara à luz do dia, as coisas não saíram, para os corruptos e corruptores, como rezava a tradição torta.

O primeiro sintoma claro e concreto disto foi a iniciativa de levar ao Congresso o projeto da Ficha Limpa. Não há precedentes, pois partiu da população. Houve milhares e milhares de assinaturas apoiando.

O Legislativo, o próprio alvo da iniciativa, viu-se acuado perante a moralidade e a conveniência, mas não teve como não criar a lei, embora tentasse aqui e ali tornar ambígua a interpretação dos artigos do anteprojeto, a fim de se beneficiarem, como dantes na velha toada, futuramente dos impasses por isto causados.
O uso do cachimbo faz a boca torta - já se diz há séculos também.

O julgamento do Mensalão 'correu por fora', mas tudo faz parte do mesmo fluxo de insatisfação perante os três poderes da República. Até então, o rouba-mas-faz parecia fazer parte de um consentimento que duraria mil anos.

As condições são diferentes, mas Chicago não se importava, nos anos vinte do século passado, com os mortos nas ruas, quando gângsteres matavam-se reciprocamente, pois era uma forma cínica de acreditar que a autolimpeza era interessante a todos.
Não era.

A indiferença foi um adubo e Al Capone reinou absoluto por um bom tempo.
Até que a sociedade americana cansou-se da criminalidade.
Quando quis, pôs todos na cadeia e a máfia recolheu-se ao submundo, que é o lugar natural da sua existência.

Por aqui, temos os mesmos sintomas nas grandes capitais, mas também, inevitavelmente, daremos um basta.

Voltando ao assunto principal, o julgamento do Mensalão e a lei da Ficha Limpa mostram que já pensamos como os habitantes de Chicago;  não aguentamos mais e estamos tomando as rédeas de nossos destinos.

E, acima de tudo, a iniciativa popular põe em xeque a representatividade parlamentar: será ela mesmo necessária? Terá ela a função de apenas, significativamente, obter vantagens para si mesma, como tivera, setorialmente, o partido comunista soviético ao ter a organização como objeto e fim em si mesmo na ideologia que o criara?

Quão importante para o bem-estar social a existência de vereadores? Qual foi a lei que engendraram no seu município para dizer que são necessários? Quando foi que vereadores contestaram as contas públicas, a prestação de contas de sua prefeitura? Quanto custa aos cofres públicos a existência dessa câmara?
Também, qual foi o projeto de lei que o deputado de seu voto pôs em votação no seu estado? Quanto custa a câmara de deputados do seu estado?

A representação não é para nós. São atores-personagens. São representantes de si mesmos.

Um pouco de anarquia ou contestação não faz mal a ninguém.


A escolha de Sofia

O desconforto do sr. Ministro Levandowski salta aos olhos.

À medida que desfia uma sequência de razões para justificar o que parece claro na contramão, isola-se.

O sr. Levandowski não é criança; sabe muito bem como será sua vida doravante toda a vez que tiver de proferir qualquer voto.

Este julgamento do Mensalão será sempre um marco aos olhos de seus pares.

Haverá sempre a comparação automática do que ele dirá nas futuras ações que nada terão a ver com o julgamento ora em curso, em analogia a casos semelhantes ou não.

Mas há algo ainda mais sério para ele e para todos: Suas palavras lhe serão cobradas por ele mesmo, em decisões de outros casos futuros - e nos do passado também.

Haverá sempre uma comparação; ele será seu próprio vigia.

Seu trabalho será maior do que o de outros, pois não poderá falhar na conceituação - esta, a que foi sustentada nos votos atuais, a do maior caso de sua vida - que se ajuste às demais, para não ser contraditório irremediavelmente.

Foi uma escolha de caminho. Se não há sabedoria nas escolhas, se não há Sofia mas sofismas, o tempo dirá.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Importante: O que diferencia o voto nulo do em branco?

Do blog do Josias de Souza


Há juízes em Brasília

Um comentário do professor Marco Antônio Villa, da Universidade de São Carlos, me chamou à atenção. Disse que é muito esquisita esta coisa de chamar os juízes do Supremo de ministros, que foi coisa de emendas ou constituição anterior à vigente e que foi mantida.

Seu comentário vem no bojo da discussão sobre o julgamento do Mensalão, que a revista Veja exibe todo fim de dia em que a ação é julgada, conforme vídeo abaixo.

A questão levantada é, entre outras, a da expectativa dos presidentes de terem os juízes subordinados a eles por gratidão da nomeada, o que confere uma submissão de um Poder a outro, coisa inconstitucional no papel, mas como senso comum arraigado nas mentes de muitos brasileiros.

Realmente, o termo ministro tem esta característica, a de segundo escalão do Executivo, alguém a ser mandado por quem o indica, um cargo de confiança.

Juízes deveriam ser juízes, como têm sido no STF.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Revelações restauradoras

As discussões no plenário do Supremo Tribunal Federal, antes do julgamento do Mensalão, sempre  televisado, era 'traço no ibope', ou seja, a audiência costumava ser mínima.
Naquele tempo, a quem se detivesse na tela da TV Justiça durante os julgamentos do STF, parecia  observar um aquário, no qual a vida subaquática era objeto apenas de curiosidade, sem vínculo com o cotidiano do espectador. Um compartimento distante a exibir códigos ininteligíveis.

A Ação 470 trouxe à luz o que havia de vaidade, exibe as diferenças pessoais e revela as tendências políticas.

Antes de serem os bate-bocas escândalos desacochados, pode-se entrever uma limpeza - o que o linguajar comum poderia chamar de freio de arrumação, aquele que no momento de um desconforto geral num transporte coletivo com excesso de passageiros gera uma parada brusca a ameaçar lançar todos ao chão. Rapidamente  após o caos, faz surgir os espaços antes inexistentes e o apinhado veículo passa a respirar.

Isto nos faz pensar - naqueles tempos das bonanças aparentes - quantos julgamentos foram feitos e quais forças estranhas puderam interferir no resultado.

A exposição da humanidade de cada um, antes de enfear o até então sisudo e distante Tribunal, traz um sopro de vitalidade, abre o a cortina do palco - antes insuspeitado - onde se passa o enredo de nossas vidas diretamente.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Emanuel

As recentíssimas manifestações sangrentas da Síria têm sido relegadas a segundo plano após um filme que, ao se referir a Maomé de forma desrespeitosa segundo o que se diz, pôs fogo no mundo muçulmano.

O Alcorão não é uma leitura ofertada facilmente no Ocidente, de modo que muitas coisas que ali estão escritas a maioria de nós desconhece, mas, diante das ações da Al-Qaeda, do Talibã e de outros núcleos de fundo religioso islâmico que têm em suas palavras a orientação para se conduzirem, nos parece que não há ensinamentos naquele livro que levem à reflexão, ao pensamento íntimo, à tolerância, à elevação espiritual.

Chega-nos a impressão - que deve estar errada - que tudo no Alcorão é ação muscular; é reação; é movimento com força e intensidade na defesa da fé a qual se faz necessário.
Parece-nos que a liturgia é muito mais importante do que as práticas que levem a aproximação entre os homens e Deus.

Religião de mãos dadas com espadas, com armas e bombas são coisas que não combinam na essência de tudo.

Esperemos muito que estejamos muito equivocados com o que existe no livro sagrado dos muçulmanos e que a paz seja selada o quanto antes.

Emanuel (Deus conosco!).

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Em tempo:
Excelentes os comentários de Ali Gomaa, a maior autoridade sunita do Egito.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pelo andar da carruagem


http://pt.wikipedia.org/wiki/Carruagem
Carruagem
A reportagem da revista Veja desta semana trouxe um condimento à mais na cozinha de panelas quentes da República. Nela, o sr. Marcos Valério teria confidenciado a amigos e parentes suas dores e dúvidas sobre sua segurança física, despejando sobre o sr. Lula o que vem sendo falado à boca pequena desde da eclosão do agora julgado Mensalão do PT.

O jornalista Ricardo Noblat publicou ontem não haver na verdade a obtenção dos fatos publicados por fontes ligadas ao sr. Valério, mas sim diretamente dele e que há quatro fitas estrategicamente distribuídas para uma eventual divulgação, caso algo violento venha a alcançá-lo.

A dar-se crédito à reportagem e ao volume financeiro de R$ 350 milhões em desvios fraudulentos, isto explica bem por que a Oposição desapareceu durante o governo Lula, fenômeno antes creditado exclusivamente ao carisma do ex-presidente em amedrontar seus confrontadores perante os votos espetaculares conseguidos por ele.

Até agora, à exceção do PSDB que tem supostamente o seu próprio Mensalão - o chamado Mensalão Mineiro em vias de julgamento -, parece haver ramificações das supostas propinas em todos os partidos.

Que o STF julgue e dê punição para todos os criminosos.

E que sejam cumpridas todas as penas impostas.

Pelo andar da carruagem, pelo que o Supremo já condenou até agora, pode ser que, a ser mesmo verdade que a propina calou a Oposição, haverá doravante uma participação maior naqueles que não se alinharão com o Governo.

sábado, 15 de setembro de 2012

Tipo Exportação (2)

O sr. José Maria Marin, presidente da CBF, traz a estarrecedora notícia de que a CBF não tem poder para escolher os adversários para amistosos.

Como o café, a soja e o minério, produtos de exportação brasileiros, o futebol também o é. É uma marca valiosa e assim deve ser tratada, e não diminuída.

Se o contrato com a empresa árabe não permite a escolha de adversários, é um contrato assinado pela parte da CBF através de uma mão criminosa; um crime contra a economia e a honrada tradição futebolística  brasileiras.

Jogar contra africanos desconhecidos, chineses e afins rebaixam o interesse e, por conseguinte, os pagamentos pelos jogos, pois sugere nesta linha que a Seleção Brasileira faz qualquer negócio, como uma meretriz de baixa categoria.

Desabafo apenas


A revista Veja desta semana traz um depoimento do sr. Marcos Valério, no qual ele conta o principal, do envolvimento de todos, de cima para baixo na hierarquia palaciana.

E deve ser mesmo verdade.

Não é difícil dar crédito à reportagem, pois os textos publicados pelos periódicos são como a matemática: são verdadeiros ou não são; não há meio termo; não há verdade parcial num caso destes, pois entre várias revelações sobre crimes basta apenas um para jogar no lixo toda uma biografia.
Como na Ciência Exata, o texto pode ser contestado, mas a verdade não pode ter duas caras.
Esperemos os próximos dias.

Enquanto esperamos as consequências desta reportagem, podemos dizer que a Veja recebe pressões políticas de todos os lados, principalmente na pessoa de seu repórter Policarpo, e não seria nada inteligente inventar palavras a esta altura.

Está sempre muito vigiada e, até agora, como seus desafetos não conseguem dizer que suas reportagens anteriores denunciativas eram falsas, limitam-se apenas a desqualificar a revista, mas jamais replicam sobre o teor que lhes incomodara.

E, até agora, os indiciados por crimes julgados na Ação Penal 470 têm tapado o sol com peneira.

Embora tal desabafo do sr. Marcos Valério não influencie o julgamento do Mensalão, por não poder ser introduzido nos autos, fica apenas como registro histórico.

O profeta a serviço do poder


Parece claro que a invasão às embaixadas estrangeiras nos países do Oriente Médio tem tudo a ver com terrorismo e pouco com religião.

Os países imperialistas são atacados com custos mais baixos nos ataques locais.
A destruição das torres gêmeas em 2001 foi espetacular para a Al-Qaeda - se é que foi ela mesma, mas  pouco importa o nome da organização - e, com o endurecimento das medidas preventivas à entrada de estrangeiros nesses países ricos, ficou muito mais barato atacá-los em suas representações nos países islâmicos. Dá no mesmo em eficácia e dificulta ainda mais a ação dos atacados.

Não há de maneira alguma um ensinamento de Maomé que justifique tais ações.

Fins muito lucrativos



As coisas estão mudando aos pouquinhos, quando isto não deveria acontecer. O tempo urge e deveriam andar mais depressa.

Os políticos brasileiros, como atesta esta declaração do atual prefeito, ainda não entenderam que leis não podem ser flexibilizadas.
Justamente por esta visão distorcida do que é cidadania é que a corrupção chegou ao nível atual.

As mudanças apontadas no julgamento do Mensalão serão um recado claro a todos, o de que não se pode transgredir leis impunemente.
Claro, se alguém for condenado no núcleo político.

Se o sr. Prefeito diz que uma tradição festiva pode sobrepor-se à lei, está trocando a justiça pelo luxo, pois se não houver verba pública para patrocinar um grande evento de interesse financeiro para a cidade do Rio de Janeiro, que se faça apenas um evento.

"- Claro que é desagradável fazer vista-grossa para quem transgride as leis, mas o que fazer se uma festa precisa acontecer, não é mesmo?" - poderíamos interpretar o que dissera.

Para ele é muito desagradável ter de obedecer as leis, como se houvesse escolha.

É a afirmação de sempre de que os fins justificam os meios.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os sertões nos quais vivemos

O Planalto Central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.


Este é um trecho introdutório de Os Sertões, do grande Euclides da Cunha.

Se, por metonímia, entendermos que o sujeito geográfico do primeiro período estampado nesse intróito refere-se à origem da corrupção no Brasil, o simbolismo geológico se adapta perfeitamente entre a origem e o destino de seu fluxo.

Parece que todo o Mal, neste aspecto, vem de Brasília -  poder maior em representatividade da federação, cuja natureza é abarcar todos os estados -, a descer abruptamente para o Sul, onde há mais dinheiro do que em qualquer outra coordenada geográfica em solo brasileiro.

Na próxima semana, o Supremo Tribunal Federal iniciará o julgamento do capítulo que é tratado por Núcleo Político na denúncia apresentada, e esperemos que a justiça seja feita, a fim de que, por também exemplo maior, estanquemos o jorro fétido em seu nascedouro.

Valor maior do que a punição, será o exemplo inibidor de futuras maquinações nefastas, que fazem criar filas em hospitais, choros nas famílias, problemas psicológicos nos desvalidos e aumento no número de covas nos campos santos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Capitu Pernambucana

D. Dilma Rousseff e o sr. Lula, e o PT de resto, não tem no nome do sr. José Serra seu maior adversário. Possivelmente, neste plano, o sr. Fernando Henrique Cardoso incomode muito mais, embora permaneça fora da política partidária, como no episódio recente do artigo do ex-presidente tucano criticando a Era Lula.

A Oposição não mais existe na prática há anos, desde que o sr. Lula venceu as eleições para a presidência da República. Os partidos fora da influência do PT encolheram-se fisiologicamente, com medo de contestar a popularidade vencedora e apagaram de suas ações a única função que tem, que é a de divergir. Fora do poder e fugindo de sua própria natureza, é zumbi.

Está aí, à míngua.

Mas, como nem tudo são flores e é impossível não divergir, resta o fogo amigo, como o caso do governador Eduardo Campos, que, com olhos de cigana dissimulada, vai pondo um pezinho aqui, um dedinho ali, fazendo a divisão na cabeça do partido majoritário de sua coligação, com vistas a 2014.

Como no romance machadiano, não se sabe se o principal personagem foi traído ou não, mas em política tudo é possível e inimigos de hoje serão os fraternos braços enlaçados mais adiante.

Nunca dantes na história deste país?


Vai levar um bom tempo até os brasileiros despertarem para a vida em comunidade, a vida cidadã, e não deixar fazerem-se leis imperfeitas.

Que coisa é esta de flexibilização de lei? Onde já se viu isto fora destas fronteiras?

Parece que o parlamento vive a brincar de legisladores, tarefa menor diante do que consideram importante, o fisiologismo.

Com tantas comissões, com tantos técnicos à disposição, é ridículo uma lei, para fazer justiça segundo o entendimento de quem propõe tal monstrengo corretivo, precisar de reparos, como se fosse versão de computador.

É desanimador ler isto, pois não é um fenômeno específico deste caso, mas um dos indícios básicos do que permeia em todos os cantos da república, o amadorismo que resulta em surpresas ou a má-fé das imperfeições para se tirar proveito delas.

Essencialmente ridículo. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Porta-voz

A sra. Dilma Rousseff sai da altivez do cargo que ocupa para ser porta-voz de um ex-presidente, no caso das críticas do sr. Fernando Henrique Cardoso ao sr. Lula.

O discurso assinado como Presidente da República torna-se uma peça oficial e não cabe a um mandatário sair desta posição para socorrer a honra de terceiros, principalmente de pessoas físicas.

É, talvez, a falta de visão do que representa ser chefe do Executivo o motivo disto. O cargo requer compostura. E esta é uma delas.

Irresponsabilidade

É uma irresponsabilidade, e já não é a primeira vez, fazer-se um discurso como o feito pelo presidente do PT, sr. Rui Falcão, incitando os incautos a se revoltarem contra uma decisão do Supremo.
No fundo de tudo, é esta a mensagem que passa, e nada sutilmente.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Surfando na capital paulista

O Estadão hoje traz a notícia de que o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, sr. Fernando Haddad, subiu nas pesquisas, enquanto que o candidato do PSDB, antes bem à frente de todos, sr. José Serra, perde pontos e empata com o petista tecnicamente.

Quando eu era criança, o dono do campinho de pelada tinha o direito de sempre jogar, se houvesse mais jogadores do que posições disponíveis. Era-lhe direito sagrado, sob pena de ninguém jogar bola.

Pois bem, o sr. José Serra, dono do partido,  de há muito acha que é -pessoalmente como devia mesmo ser - a melhor pessoa a disputar algum cargo executivo em quaisquer dos níveis nacionais, mas deveria - como também devia mesmo ser - olhar-se no espelho, e ter um mínimo de percepção de que as derrotas do  seu passado afluem mais fortemente a cada nova verificação.
Urge renovar, mas não com Aécio Neves, que já passou do ponto também. O neto de Trancredo Neves só tem potência de voz nos limites do mapa político de Minas Gerais.

Quanto ao candidato do PSDB, não lhe há presença física e nem é mais uma referência intelectual de modo a suplantar a rejeição causada por sua teimosia em conseguir um cargo. Sugere mais uma compulsão, razão que depõe contra si perante seus potenciais eleitores.

O sr. José Serra gasta as últimas reservas de gordura que acumulara enquanto oposição nacional.
Nestas próximas eleições, caso eleito, adia o esquecimento da História, do qual parece lutar bravamente - apenas na intenção.
Infelizmente para ele e para o partido, que se desfaz aos poucos desde o distanciamento do sr. Fernando Henrique Cardoso, acredita que sua imagem, sua fotografia, é suficiente para vencer.

Como sempre no ninho tucano, a vaidade é a plataforma, cuja natureza está mais para prancha de surfe.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

É possível?

Ninguém tão bem atualizado no processo do Mensalão como um ministro do Supremo Tribunal Federal.
 
Mais do que ninguém um dos magistrados do STF sabe o peso de cada voto de seus pares antecipadamente. É impossível, pode-se afirmar, haver dúvida de como cada um deles votará num processo, mesmo porque o processo é um só e as discussões, mesmo informais, acontecem.
 
É possível supor que os srs. Dias Toffoli e Lewandowski, ao medir o peso dos votos dos demais, resolvessem votar pela absolvição do sr. João Paulo Cunha, pois suas posições, pelo conjunto da obra que se desenhava, não prejudicaria a justiça perante a sociedade?
 
Ficariam bem perante os padrinhos em agradecimento por suas togas e sairiam apenas arranhados perante o olhar atento do cidadão comum?
 
Seria imaginação demais pensar nisto. Certamente os ministros contrários à maioria votaram com suas consciências mesmo.

Inércia, uma das leis de Newton tem este nome

http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Eduardo_Alves
Deputado Henrique Eduardo Alves
Vai levar um bom tempo para que os políticos, funcionários públicos e empresários entendam o que se passa ora no Brasil.
 
É o que se chama inércia, fenômeno ligado a ações espaciais, que tanto diz que os objetos se opõem a entrar em movimento, quanto em parar. Neste último caso, quanto mais massa e quanto mais energia originária no rolamento de uma bola, mais difícil fica interromper seu movimento.
 
A explicação que o sr. Henrique Eduardo Alves dá para justificar sua ação como lobista em favor de um amigo empresário, dá a clara confirmação de que o parlamentar, que é candidato a presidente de uma casas legislativas de Brasília, ainda não entendeu o freio posto pelo STF ontem.
 
A massa e a energia combinadas pela corrupção por décadas entranharam-se-lhes fundo; e vai mesmo levar um bom tempo antes desta bola desacelerar pelo menos a velocidades aceitáveis.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Notório saber

A impressão, de quem não é advogado, que se tem sobre a atuação dos juízes no STF e seus comportamentos fora do plenário é que o tal do notório saber como uma das exigências que permitem o assento numa das cadeiras do tribunal é um conceito muito subjetivo.
Na verdade, saber se algum candidato ao preenchimento de alguma vaga no Supremo tem muito conhecimento é tarefa de uma única pessoa, que consulta ou não outras a fim de balizar-se na indicação. Assim, os parâmetros pessoais, a cultura própria, o conhecimento técnico individual é que pesam na escolha.
Além disto, o que significa notório saber? Mais vago que isto é a presença de funcionário público nas repartições.

Um candidato a ministro do STF é indicado pelo chefe do Executivo e submetido a uma sabatina por senadores que até hoje rejeitaram apenas um nome indicado. E isto foi num senado de há mais cem anos, conforme Ricardo Setti.

Por ser o cargo de ministro uma indicação política, vê-se resultados bem distantes do esperado para o Supremo.

Há quem diga que o STF já não é mais uma casa circunspecta, e nisto há certa comemoração, como uma evolução, um espanar de mofos antigos, mas quando no plenário se veem assuntos de gravidade trazerem à baila indícios de que as coisas não são como deveriam ser, não há como nos sentirmos seguros, amparados pela Justiça.

Se há notório saber, os votos baseados em autos deveriam trazer concordância quase unânime e não contrapontos, pois isto leva a duas conclusões: um dos juízes não sabe do que está falando, ou há uma tendência a faltar com a verdade.

É aí que está o perigo da insegurança jurídica.