sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reserva de mercado

A sra. Dora Kramer no Estadão de hoje salienta o alto índice de votação silenciosa nas últimas eleições, quando aproximadamente 25% dos eleitores puseram seu voto no nulo ou no branco.

Acredita a jornalista que este grande contingente reage à ideia do voto obrigatório, mas, de minha parte, não acredito que seja este o motivo que os impede de escolher um nome.

Há muito que a política brasileira se mostra alheia à representatividade popular, mas totalmente engajada na auto-representação.
Este distanciamento do eleitorado se mostra cada vez mais claro.

Quem sabe sejam protestos, os dos que não concordam com a existência da profissão?

Por exemplo, para que tem servido as câmaras municipais, além da já aludida interiorização de interesses de seus membros na própria sobrevivência política, mesquinha e individualizada?
Veja também a quantidade de nomes candidatos nesta última eleição para vereador! Serão tantas cabeças interessadas em fazer leis municipais e fiscalizar o Executivo?
Nem de longe!
Desejam é a renda fácil e farta.
Acima de tudo, a benesse extra de não ter de dar satisfação a ninguém, como tem sido.

O voto obrigatório, lembra a jornalista, é que faz o desinteresse do político de conquistar um eleitorado, pois já o tem de um jeito ou de outro. Não precisa trabalhar para expor suas idéias. 
Faz todo o sentido. É uma reserva de mercado para os candidatos.

Há sempre aqueles que acreditam que a eleição exige um nome, que é feio votar em branco ou nulo, pois - dizem os políticos e muitos outros - que nosso direito ao voto foi conquistado com muita dor e que, por isto, não pode ser desprezado.
Desprezado não pode mesmo, mas ser errado votar nulo ou em branco é muito discutível.

Assim, seguimos com o único jeito de curvar-nos à lei e ao mesmo tempo protestar contra a existência da profissão.

E é bem verdade que os políticos não desejam conquistar o que já é deles, pois a plataforma não existe; não há ideias a apresentar e debatê-las.

Basta candidatar-se e falar mal do adversário, para diminuir-lhe o número de votos. Só isto; o resto já está feito.

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