sábado, 6 de outubro de 2012

A escolha de Sofia

O desconforto do sr. Ministro Levandowski salta aos olhos.

À medida que desfia uma sequência de razões para justificar o que parece claro na contramão, isola-se.

O sr. Levandowski não é criança; sabe muito bem como será sua vida doravante toda a vez que tiver de proferir qualquer voto.

Este julgamento do Mensalão será sempre um marco aos olhos de seus pares.

Haverá sempre a comparação automática do que ele dirá nas futuras ações que nada terão a ver com o julgamento ora em curso, em analogia a casos semelhantes ou não.

Mas há algo ainda mais sério para ele e para todos: Suas palavras lhe serão cobradas por ele mesmo, em decisões de outros casos futuros - e nos do passado também.

Haverá sempre uma comparação; ele será seu próprio vigia.

Seu trabalho será maior do que o de outros, pois não poderá falhar na conceituação - esta, a que foi sustentada nos votos atuais, a do maior caso de sua vida - que se ajuste às demais, para não ser contraditório irremediavelmente.

Foi uma escolha de caminho. Se não há sabedoria nas escolhas, se não há Sofia mas sofismas, o tempo dirá.

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