quinta-feira, 28 de junho de 2012

Rodovia BR-040

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_%28cidade%29
Cidade do Rio de Janeiro
As opiniões nos dizem que o presidente Juscelino Kubitschek levou a capital da república para o centro geográfico do mapa político do país para que a administração passasse a ser equidistante para todos aqueles que viviam no território nacional.

Complementarmente, opina-se que era também a intenção ocupar o país -  após atrair pessoas para o centro - de cima para baixo, aproveitando as águas que descem do planalto para as demais regiões, promovendo, assim, a evolução econômica no sentido inverso ao histórico em que se deram todas as ocupações territoriais humanas em todos os continentes.

Além disto, também dizem que já era clara a impossibilidade de continuar com a sede administrativa no Rio de Janeiro, uma vez que a proximidade com a população não mais daria a segurança física necessária aos integrantes do governo.

Dessas explicações, não podemos sentir que a primeira e a segunda chegaram a êxito nas suas intenções, mas temos a confirmação de que a última foi verdadeiramente um sucesso.

Desde sua origem, a se dar crédito à segunda, Brasília parece exercer sua vocação e DNA: vai na contramão da História.

Longe dos olhos, longe do coração, a capital-poder tornou-se diáfana, assim como os representantes eleitos que nela foram instalar-se e não foi nenhum exagero ter sido chamada anos depois de Ilha da Fantasia, em remedo à série televisiva onde os sonhos magicamente se transformavam em realidade.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%ADlia
Brasília
Infelizmente para o eleitorado, somente nos capítulos da ficção novelesca de Tatoo e mr. Rourke é que se podia obter algo de bom e a favor duradouramente.

Este foi o princípio e é a atualidade pungente. O recheio foi a ditadura militar que, através do cala-a-boca-senão-te-arrebento, pôs a governança atrás de biombos nada translúcidos.

Juntando-se a psicologia da vaporosidade figurativa dos representantes aos portões de ferro que preservavam os segredos dos atos e decisões militares, a população aceitou a vacância administrativa palpável e intuiu que, se algum poder havia para normatizar a economia e a justiça, suas coordenadas geográficas não vinham à luz com algarismos significativos. Cuidava, portanto, tocar suas vidas, cada um um reino em si mesmo, soberano e vassalo de sua própria existência brasileira.

O desinteresse instalou-se.

Entretanto, a aparente inércia crítica decorre da falta de líderes verdadeiros, que vicejam apenas pelo contato físico, regados por mãos que distam apenas um braço de alcance.
Há figuras que usam terno e gravata, faixas presidenciais, comendas, isto há, mas apresentam-se  apenas  como imagens e sons teletransportados; não mais que isto.
Têm a consistência e a efemeridade de uma sombra na parede, que sucumbe a um dedo eventual num interruptor para o fim de sessão.

A celeridade na troca desses fotogramas fantasmagóricos traz mais um fenômeno: a falta da permanência na memória das figuras projetadas, embora firmemente gravados na retina e no tímpano a sua vacuidade física. Isto se percebe bem e cumulativamente, embora não claro à analise rápida no dia-a-dia.
Elas passam, como tudo na vida, para desespero dos que esperneiam contra o corte da onda  luminífera que lhes dá sustentação da existência fingida.

A mesquinharia se lê nos jornais diariamente. O fisiologismo corre solto como um direito adquirido, fazendo parte da ética invertida rir-se de um honesto.

Ironicamente, a rodovia que liga Brasília ao Rio de Janeiro parece atar também as duas pontas da história, começando na Estrada Parque de Indústria e Abastecimento em Brasília e findando na Praça Mauá, no Rio de Janeiro.

Não começaram planalto abaixo a indústria de ideias, o abastecimento de efetiva cidadania, e nem mesmo um fogo fátuo que ao menos se pareça com a glória empreendedora de um Irineu Evangelista de Sousa, mas a insensatez encastelada refinou-se exemplarmente.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A mão invisível

Há décadas que o Brasil luta contra a inflação.

A mais feroz iniciou-se com o sr. Juscelino Kubitschek, na década de 50, e só veio a arrefecer o seu ímpeto  trinta e cinco anos depois com o sr. Itamar Franco e, em seguida, com o sr. Fernando Henrique Cardoso.
Neste caminho, passou pelo tempo do sr. João Goulart, acelerou os índices nos anos da ditadura dos militares, vindo a explodir durante o mandato do sr. José Sarney, e virando de cabeça para baixo o país inteiro no governo do sr. Fernando Collor.

Há que se registrar que, sem exceção, todos os países da América do Sul tiveram seu maior período inflacionário durante a permanência dos militares no poder e que todos, também sem exceção, controlaram a inflação na mesma época. Coincidência ou ingerência externa e interna do início ao fim?
Difícil acreditar em acaso quando se fala em política.

Mas isto é outra história.

Vivemos de Planos, mas sem um verdadeiro planejamento. Os ministérios brasileiros são verdadeiros cabides de emprego e o do Planejamento sabe muito bem a que veio e o quê para quem faz.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adam_Smith
Adam Smith
Um parênteses aqui: a rigor, bastavam dois ministérios; o da Saúde e o da Justiça. O resto é um modo de retribuir dívidas de campanha e recompensar coligações que atapetaram o atalho ao poder.

Em frente!

O sr. Lula e d. Dilma já têm os seus planos; herdados e criados, vários. Alguns empacaram e outros seguem sendo financiados por boa parte da população ativa, e servindo de modelo para o mundo.

Historicamente, em nenhum deles pensou-se em pôr o país nos trilhos industrialmente, treinar mão de obra, proporcionar insumos apropriados, desenvolver o intelectual universitário em prol da cidadania.

Assim como a inflação, também ouve-se há décadas que o nosso parque industrial é insuficiente para atender à demanda interna por produtos.
E quando estará afinado com esta necessidade, afinal?

Já houve tempo suficiente para implementarem medidas estruturais que permitissem às nossas indústrias produzir a preços competitivos com o Exterior, mas o que nos vêm à mente é que a oligarquia capitaneada pelas federações patronais da indústria prefere manter tudo assim mesmo.

Se precisar, aciona os mandantes, que vão baixar um pacote de incentivo ao consumo e setorizar os ganhos decorrentes da medida.

Como toda maquiagem, quaisquer destas medidas se esvaem com o tempo, até que um novo pacote vem salvar os deitados eternamente em berços industriais capengas - mas esplêndidos de verniz.
Os bebês paridos tradicionalmente por estas artes plásticas, nos parece, sentem muito cansaço para lutar por melhorias reais.

A partir de um maior consumo e sem a devida poupança prioritária, a população se endivida, a taxa de juro sobe nos empréstimos bancários para compensar a inadimplência galopante decorrente do chapéu posto mais alto do que o pulso e o ciclo se fecha, ao endividarem-se mais por terem de pagar um acréscimo na devolução do valor emprestado.
Tudo isto para a festa dos credores avessos ao risco, apoiados pelas instituições governamentais que lhes garantem a continuidade.

Claro que isto tem um limite, como no golpe das pirâmides a engolir os incautos, tentando fazer com que acreditem que é possível tirar rendimento do nada.
Mais cedo ou mais tarde o modelo se esgota, mas certamente terão mais um pacote a vigir por um período ainda mais curto em eficácia.
Mas o umbigo é logo abaixo dos olhos, o Brasil tem sido um mar de tranquilidade, um oásis no seio da crise mundial, por que mudar, já que somos todos capitalistas e as regras são estas?

A certeza que temos é que a indústria cosmética tem mesmo muito que comemorar vendas.

Adam Smith por certo não quis dizer isto, mas a intervenção invisível que consertaria o mercado naturalmente, conforme preconizara em sua hipótese de economia política, tem cumulativamente metido os pés pelas mãos.




Justo, justo


http://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a

Belo Monte

http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte
Concepção artística da Usina Hidrelétrica de Belo Monte
Um amigo meu, do peito, pede-me que analise os impactos da construção da nova hidrelétrica no Pará, a Belo Monte; que eu diga alguma coisa a respeito, das implicações ligadas à construção. Pelo menos foi o que depreendi de seu pedido.

Meu amigo trabalha diretamente na construção e, pelo que pude vislumbrar no âmago de sua sugestão, percebe que há mais vozes interesseiras por detrás das críticas destrutivas do que propriamente gente honesta. Mas ainda não sei. Vou ter de conversar com ele posteriormente para me certificar de que isto mesmo que pensa.

Como é pessoa de grande humanidade e se for esta mesmo a sua opinião, já fico simpático preliminarmente à construção.


A partir do pedido, vi que eu sou o mais ignorante de todos que já abordaram o assunto e, para não falar de coisas das quais não entendo, fiz uma busca preliminar para colher elementos que me dessem orientação para criticar de alguma maneira tal obra; a favor ou não.

Descobri que a tarefa é gigantesca. Não dá para ler hoje e comentar também de imediato. E não sei se terei uma opinião com um mínimo de embasamento para tomar alguma posição nos próximos meses...

Como  uma amostra das implicações, veja o que achei no Portal São Francisco, aqui neste link. Veja por si mesmo como é complexa a coisa.

Os primeiros trabalhos desta construção, segundo li, data de 1975, ou seja, há 37 anos e somente agora todos os críticos e defensores arregaçaram mangas para falar no assunto.

Fico devendo esta opinião, mas não fugirei dela.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Dia 25 vale como 30?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a
A Justiça
O sr. Ministro Lewandowsky tem a missão de revisar, alterar ou recusar os autos do relator , Ministro Joaquim Barbosa, no caso do processo do Mensalão do PT.

Até agora, passados muitos meses em que com ele estão os autos, não fez nada que nos chegue aos olhos. Diz que precisa fazer um voto paralelo - coisa não prevista no regulamento -, pois revisar tanta coisa é muito importante, para não ferir com injustiça pessoas de família.

Muito bem, muito bom, muito compreensível tanto zelo após a redação do Ministro Joaquim, que fizera todo este trabalho.

O presidente do STF, Ministro Ayres Britto, enviou-lhe um ofício para que entregasse o processo ontem, mas o sr. Ministro-revisor disse que, de acordo com o que foi acordado na reunião administrativa do Supremo, teria que entregar até o fim de junho. Disse ter sentido mágoa pela cobrança.

Ou seja, o Ministro poderá deixar para o dia 30/06/2012 a conclusão de seu trabalho, pois dia 29 não lhe daria o tempo necessário ao estudo das peças. Se fizer isto, é provável que o julgamento seja transferido para 2013, por causa do cronograma.

Será que poderá Sua Excelência considerar que 30 poderia ser 28, ou 25 ainda melhor, uma vez que cinco dias em sete anos não fazem a menor diferença?



Punição com ressarcimento


Um juiz, se flagrado em qualquer situação que leve seus pares a considerá-lo profissional incompatível com as atividades que exerce, como a correspondente quebra de decoro no parlamento por exemplo, é aposentado compulsoriamente.
Isto é, como punição, deixa de trabalhar e recebe seu salário até o fim de sua vida.
Há uma proposta de emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados, de número 89/2003, que atinge também o Ministério Público, que possivelmente não avançará.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_Nacional_do_Brasil
Congresso Nacional
Embora tenha - será mesmo? - intenção moralizadora, há quem diga que o tiro poderá sair pela culatra, caso os plenários venham a confirmá-la, anulando, na prática, a Lei da Ficha Limpa, ao deixar os promotores amendrontados de entrar com alguma ação de improbidade administrativa contra prefeitos, por exemplo, e serem acusados de mau uso de função, previsto nesta Proposta como de competência administrativa, ou seja, julgado pelos próprio órgão a que pertença sem grandes rigores no embasamento para ser alijado da convivência funcional. Pelo menos é isto que se depreende pela reação de alguns membros das promotorias frente à proposta.

Por outro lado, o estado - na forma dos três poderes - não toma voluntariamente, antecipadamente, preventivamente, medida que beneficie o cidadão, a não ser que o cidadão-alvo pertença a um grupo bem restrito.
Como a Polícia, está sempre um passo - ou vários - atrás de alguma reparação contra a sociedade e muda sua letargia somente após anos de insatisfação populacional, pois muitas vezes legisla em causa própria: muitos de seus membros vêm de  poucos segmentos da sociedade, muitos são donos de empresa ou pertencem a associações imensas e setorizadas da economia.
Sinaliza, sugere, faz de conta que é para valer, como esta PEC, mas não avança. Pode conter absurdos na proposta, porque sabe que não passará - ou pensa que não. É meramente um adocidado literário, pelo qual amansa a voz pública com uma ponta de esperança, para deixar se arrastar até que uma nova proposta se sobreponha à primeira, para ficar tudo como estava.
Mesmo redigidas sem muita acurácia, às vezes as coisas escapam a este controle e a sociedade fica com leis capengas, a prejudicar inclusive a mão que a assinara, até que a agilidade paquidérmica venha a modificar algo.

O senador Demóstenes Torres, aquele primeiro personagem, o paladino, e não este, o segundo em vias de defenestração parlamentar, foi um árduo defensor dessa PEC, no que diz respeito à parte de que fala na mudança de regras quanto à aposentadoria compulsória dos magistrados e promotores.

No seu caso particular, se condenado como tudo parece crer, sairá ileso de punição justa.
Voltará ao Ministério Público, onde tem cadeira assegurada, mesmo tendo se associado a um criminoso; estará à frente da Justiça na condição de guardião da justiça.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%B3stenes_torres
Demóstenes Torres
Onde está a punição? Perderá rendimentos, ou no imaginário do cidadão comum, o não profissional do ramo, ganhará ainda mais, uma vez que estará livre da vigilância pela exposição na tribuna?
Já do lado de fora do Senado, terá o semblante carrancudo pela perda dos direitos políticos?

É uma pena que este modelo de representação estatal seja o único que podemos ter num regime democrático.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

De Saladino a Assad


Quanto mais leio A Marcha da Insensatez, de Barbara Tuchman, mais vejo que ela tem razão.

Não adianta os exemplos históricos bons e maus, os governantes agem contra si mesmos todo o tempo e muito frequentemente.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saladino
Ṣalāḥ ad-Dīn Yūsuf ibn Ayyūb (Saladino)

Saladino, segundo a visão muçulmana e até mesmo ocidental, foi um guerreiro sábio e justo para com sua gente e seu nome é respeitado até nossos dias. Bashar al-Assad, seu herdeiro geográfico, muito provavelmente entrará para a História como um sanguinário apenas. Esperemos que todos estejamos errados, para o bem das vítimas e da humanidade como um todo.
Para as vítimas, porque, em caso contrário ao que pensamos aqui de longe do presidente sírio, não seria um massacre, mas mortes resultantes uma guerra que, embora não aprovemos derramamento de sangue em hipótese nenhuma, não há como evitar todo o tempo; para a humanidade, porque não teríamos mais um sanguinário contemporâneo, que poderíamos, neste caso, ter esperança de não conhecer.
Mas está difícil de imaginar coisa assim.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bashar_al-Assad
Bashar al-Assad
Terá Assad a ingenuidade de acreditar que poderá sair desta guerra civil sangrenta e de violência  extrema com a fama de estadista e morrer na velhice assistindo o canto de pássaros em jardim de tâmaras?

Acredito não haver mais tempo para Assad abrir os livros de história e retroceder. Acredito que Haia terá mais um réu daqui a alguns anos, se não acontecer coisa pior como a história recente nos mostrou.

domingo, 24 de junho de 2012

A amante de César

Se a mulher de César deve mostrar-se honesta, não lhe bastando ser honesta dentro de sua indumentária somente, seria lícito exigir que a concubina do imperador mostre-se honesta também?

O advérbio pode ter dois significados: que a pessoa é pura em seus principios ou que pode situar-se pura bipolarmente. Nesta última acepção, a concorrente da imperatriz tanto poderia ser uma mulher de bons princípios na moral vigente da época, quanto totalmente oposta àquela, honestamente meretriz.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Ch%C3%A1vez
Hugo Chávez

O sr. Hugo Chávez é honesto. Comporta-se como justamente é. E, de resto, como são seus colegas de mandato e simpatizantes a Cuba.

Democracia para este grupo é o regime de Havana, e o sonho pessoal do presidente Venezuelano é replicar em si mesmo a figura do sr. Fidel Castro, e não tão-somente nos limites territoriais de seu país, assim que o velho ditador de Sierra Maestra se for para um lugar melhor.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Zelaya
Manuel Zelaya
Honduras e o mundo conheceram o sr. Chávez e o sr. Lula muito bem pela invasão que aquele país sofreu no impeachment de Manuel Zelaya.
Naquele momento já se delineava que, para tal visão de mundo, as leis exteriores nada lhes dizem, bastando apenas agir sob a interpretação que derem aos eventos na casa do vizinho, a manifestação instintiva e pueril do quero-não-quero somente, a manifestação do que Freud chamou de Id.

 O sr. Chávez, conforme noticiário de hoje, em represália ao golpe legal dado no Paraguai, manda suspender até segunda ordem o fornecimento de petróleo àquele país, talvez condicionando o cancelamento por uma contra-ordem neste sentido "quando a demoracria retornar ao seu lugar", seja lá o que for isto em sua interpretação.
É o de sempre: o povo pobre, sofrido há décadas e explorado pelas forças políticas que o retalham desde Solano López, que pague a conta dos desentendimentos interesseiros de norte a sul do continente.

O sr. Chávez (e seus simpatizantes, por extensão), honestamente, mostra-se como realmente é, preocupado apenas com o exemplo que emana do Paraguai sutilmente, aquele que ameaça sua própria sobrevivência política a qualquer futura insatisfação interna.

Agora resta decidir subjetivamente em qual dos polos da honestidade ele se encontra.




A sesta vem depois do almoço

Os governos populistas costumam acreditar que o povo está com eles em qualquer situação. Têm como base desta certeza os índices de aprovação nas pesquisas encomendadas aos institutos particulares de coleta de opinião.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristina_Fern%C3%A1ndez_de_Kirchner
Presidente Cristina Kirchner
D. Cristina Kirchner, por exemplo, é a voz mais atuante no recente episódio do impedimento do ex-bispo-presidente Lugo no Paraguai.
Veste, segundo acredita, a roupa de defensora da Democracia, enquanto em sua própria terra, e através de acordos políticos propiciantes a uma lei de exceção, cala a imprensa que a vigiara de perto.
Claro que d. Cristina sabe que a fatura dos acordos será apresentada no futuro, mas é o presente que interessa a todo governante ávido por resultados imediatos.

Crê que o povo está com ela neste episódio, e manda retirar do Paraguai o embaixador argentino, "até que as condições democráticas sejam restabelecidas".

D. Cristina, em seu afã pelo livre arbítrio e pela preservação das instituições, esquece-se que seu apoio advém de programas sociais de cunho assistencial donativo, com um mínimo de exigência na contrapartida do benefício, mas que não detêm nenhum compromisso com relações internacionais.
Interessam-se tais beneficiários muito frequentemente apenas pela hora do almoço, enquanto deixa para os que leem e analisam implicações políticas globais a tarefa de se indignar ou aplaudir.
A hora da sesta é-lhes sagrada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff
Presidente Dilma Rousseff
Na onda reativa que se fez ouvir por boca de dirigentes dos países ditos bolivarianos, vem também d. Dilma Rousseff pedir, montada ainda mais em programas donativos e também um tanto cautelosamente no ocorrido,  que a democracia, ofendida segundo seus princípíos governativos, seja preservada naquele país em foco.

No calor dos acontecimentos, aparecem nos jornais em armaduras reluzentes e está nisto suas ambições maiores, o imediatismo e a exposição fácil tão cobiçados. Dentro de poucos dias, tudo voltará ao normal e esperarão avidamente por uma nova oportunidade de tablado, onde defenderão em altos brados aquilo que nem sabem exatamente o que é, pois não lhes configura pertencente ao terreno de suas próprias praias.

Contudo, se num espasmo democrático insistirem em prolongar suas idéias de palanque ao convocar - como faz similarmente em nossa terra o sr. José Dirceu a seus apadrinhados - o apoio para suas vaidades políticas, verão que há uma grande distância entre interesses percentuais e uma real sustentação ideológica.

Descobrirão, para espanto próprio, que a hora do benefício é a véspera da... indiferença.



sábado, 23 de junho de 2012

O torturador anônimo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff
Presidente Dilma Rousseff
Dona Dilma Rousseff comete, ao meu ver, uma impropriedade, ao dizer que o importante não é o nome de um torturador, mas o modo pelo qual se tortura um ser humano.
Não, d. Dilma; não.

 Pense bem, isto leva à impunidade; transfere-se ao acaso o ato e descriminaliza esta abjeta forma de controle social, já que não há rostos.

Sua frase carrega um quê, por outro lado, de efeito mercadológico, pelo qual Vossa Excelência parece  pretender elevar-se sobre as mesquinharias humanas, posicionar-se além das coisas sem importância.
Não, d. Dilma; não.

Não há nada de desimportante na violência.
É necessário que se dê nome aos bois, pois assim os reconheceremos, mesmo que sejamos nós a estar na fila do matadouro e não eles. Exige-se revelar a verdadeira face do terror.

D. Dilma, precisamos trazer à luz tudo aquilo que as leis consideram crimes inafiançáveis, para que a Tortura - agora aqui e por mim posta como figura etérea (e como quis fazer Vossa Excelência) - não se esconda no anomimato consentido e passe a ter certidão de nascimento, número de identidade, cpf e número de registro no xilindró.

Primavera Latina no inverno?


O presidente Lugo, do Paraguai, sofreu um processo de impeachment e foi apeado do cargo. O motivo do processo-relâmpago foi uma gota dágua, um confronto entre camponeses e policiais que resultou em mais de dez mortes nestes dias passados de junho.

http://www.ultimahora.com/
Reprodução do jornal Ultima Hora, do Paraguai

Parece pouco o motivo para tirar um presidente eleito, mas o que dizer de mais de dez mortos e acusações outras desde 2009?
Saindo do plano legal, o nome da república paraguaia tem sido alvo de chacota pelo comportamento pessoal que o ex-bispo-presidente Lugo tem trazido aos jornais sobre suas paternidades, denunciando um costumeiro falseamento de compostura ideológica que não pesa a seu favor. E, neste aspecto, não só naquele país.

A pergunta que se faz é o que tinha o então presidente com um confronto policial aparentemente tão comum em terras meridionais?
Pelo Libelo mais abaixo, tudo.

Outra pergunta é se algo feito por subordinados atinge a presidência de uma república, se o enfrentamento em Eldorado dos Carajás, aqui no Brasil, respeitando-se o que diz a nossa Constituição, pelo menos algum incômodo traria a nosso presidente da época?

Mas isto é outra história.

Alguns líderes latinoamericanos manifestaram sua repulsa por um pretenso golpe político diante do episódio resultante na posse do novo presidente Federico Franco. Parecem basear-se apenas no resultado da destituição funcional e não em suas causas.

Muito nos deixa a pensar o presente desfecho: Afinal, o impedimento do sr. Lugo na presidência daquele país é uma afronta à  Democracia ou não?

Quanto à lei escrita, não, conforme o que diz a Carta Magna paraguaia.
Quanto à verdade, difícil dizer, uma vez que a luta pelo Poder nunca nos chega com detalhes, e via de regra somente através da versão oficial, que é a versão mais... oficial.

A Constituição paraguaia é clara no seu artigo sobre os procedimentos para o julgamento político a que são submetidos os altos cargos do executivo, em casos de mau exercício de suas funções.

Abaixo, como não escrevo bem nem a nossa inculta e bela língua pátria, no que dizer em espanhol, lanço mão do Google Tradutor.
Deixo intacto o que foi traduzido, justamente para manter pura a minha participação na influência textual.

Diz o seguinte a Constituição do Paraguai, promulgada em 1992:

SECÇÃO VI Julgamento político Artigo 225 - PROCEDIMENTO
O Presidente, Vice-Presidente, os ministros do Executivo, os ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral, o Provedor de Justiça Pessoas, Gabinete da Controladoria Geral, a Controladoria e membros do Tribunal Superior Eleitoral só pode ser acusado de exercício das suas funções, por crimes cometidos no exercício das suas funções ou crimes comuns.
A acusação será feita pela Câmara dos Deputados, por maioria de dois terços.
Correspondem ao Senado por maioria absoluta de dois terços, juiz julgamento público aqueles impeachment pela Câmara dos Deputados e, se, condenado, o único propósito de separá-los dos seus cargos, nos casos de alegada prática de crimes, passar o pano de fundo os tribunais comuns.


 O documento acusatório, pelo qual a Câmara entrara com o processo de impedimento, diz o seguinte (mantenho a integridade convertida do tradutor):

LIBELO ACUSATÓRIO
ANEXO INC ARTIGO 1. C) - RESOLUÇÃO H. CÂMARA DOS DEPUTADOS N º 1431/2012
1. FINALIDADE.

Difamação contraditório contra o presidente Fernando Lugo Mendez com base nas conclusões de facto e de direito que nos voltamos para Mensagem:
A nossa Constituição Nacional, artigo 225, afirma:

"O Presidente, Vice-Presidente, os ministros do Executivo, o Ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral, o Provedor de Justiça Pessoas, Gabinete da Controladoria Geral, a Controladoria e membros do Tribunal Tribunal Superior Eleitoral só pode ser acusado de má exercício das suas funções, por crimes cometidos no exercício das suas funções ou crimes comuns. A acusação será feita pela Câmara dos Deputados, por maioria de dois terços. Correspondem ao Senado por maioria absoluta de dois terços, juiz
julgamento público aqueles impeachment pela Câmara dos Deputados e, se necessário, declarar culpados, com a única finalidade de separar os de escritório. Em casos de alegada prática do crimes, os fatos devem ser para os tribunais comuns. "
2. A cobrança é feita PARA MOTIVAR
2,1 acto político no COMANDO DE ENGENHARIA das Forças Armadas.
Em 2009, com a permissão do presidente Lugo, houve um comício político juventude no Comando de Engenharia das Forças Armadas, que foi financiado pelo Instituições do Estado, incluindo a Entidade Binacional Yacyretá. Fernando Lugo, reconheceu que a entidade binacional Yacyretá financiado encontro com a juventude socialista na região, realizada no Comando de Engenharia das Forças Armadas.
Estas instalações foram utilizadas para a assembléia dos jovens que frequentavam banners com conotações políticas, atingindo um deles hastearam a bandeira no lugar pátria.
Esse ato puramente político da natureza e as explosões generalizadas pelos meios de comunicação só poderia ser feito com a permissão do Comandante-em-Cabeça e prova que o Governo aprovou, instigada e facilitada esses atos políticos no sede é que vários funcionários importantes do governo participaram do evento discursos que incitam luta de classes, como a feita pelo então ministro da Secretaria de Emergência Nacional, Camilo Soares.
CASE 2,2 Ñacunday
Foi o governo do presidente Lugo responsabilidade exclusiva como um instigador e facilitador de a recente área de terra Ñacunday invasões. A falta de resposta polícia contra as invasões de supostos ajudantes de acampamento sem-terra e bens domínio privado, apenas faz parte desse comportamento cúmplice.
Presidente Lugo usou forças militares para criar um verdadeiro estado de pânico em toda a região, violando o direito de propriedade e entrar em prédios colonos, sob o pretexto de fazer o trabalho de demarcação da faixa de exclusão fronteira. No entanto, estes trabalhos foram acompanhados por dirigentes da Associação de assistentes de campo, que abertamente direcionando o trabalho de técnicos e membros da forças militares, que levaram a reclamações intermináveis ​​dos proprietários e também inúmeras publicações de jornais sobre a situação. E enquanto essas invasões foram produzidas e ameaças foram feitas a conhecer aos outros em outros departamentos da República, o presidente Lugo estava sempre com as portas abrir para os líderes dessas invasões, como é o caso de José Rodriguez, Victoriano Lopez, Eulalio Lopez, entre outros, dando uma clara mensagem a todos os cidadãos sobre a sua apoio incondicional aos novos actos de violência e crimes que eram nutrida e desenvolvida através destas organizações.
Fernando Lugo tem sofrido os chamados assistentes acampamento militar, que têm fez todos os tipos de abusos, agressões e assaltos à propriedade privada, tendo em vista a forças do governo, que não agem pela cumplicidade indisfarçável do Presidente da República com esses agressores. Os membros desta Casa vai se lembrar o que aconteceu com o prefeito de Santa Rosa Segunda-feira, Maria Victoria Salinas Sosa, que foi vítima de um violento atacar os assistentes do acampamento que bateram, chutaram e bateu o veículo no qual movido.
2,3 precarização
Presidente Lugo tem sido absolutamente incapaz de desenvolver políticas e programas que tendem a diminuir a insegurança crescente.
Nestes 4 anos no cargo, apesar dos consideráveis ​​recursos financeiros que foram fornecidos pelo Congresso para capacitar a polícia, o resultados não eram apenas insatisfatória, mas também tem sido por outros demonstrou falta de vontade do governo para combater o Exército Popular Paraguai, que se tornou, sob e com a cumplicidade do governo, o flagelo dos cidadãos dos departamentos de Concepción e San Pedro.
As diversas operações realizadas pelo Governo, muitas vezes com grande cobertura jornalismo, ter sido apenas um resultado do fracasso total. Nunca na história deste país, a Polícia Nacional teve muitas vítimas mortas pela covardia membros do EPP e, no entanto, o prosseguimento do Presidente complacente inalterada.
Todos os membros da Câmara dos Deputados sabe os links Presidente Lugo foi sempre realizada com grupos de seqüestradores, que anteriormente ligada ao partido Pátria Livre e movimento cuja ala militar é agora chamado EPP.
A operação custosa definido pelo Governo durante os dois estados de emergência , não produziram nenhuns resultados e, por outro lado, tem apenas resultou em maior força grupo terrorista armado através da desgraça e humilhação a que eram sob forças militares e policiais designados para o OS.
Lugo é responsável pela crescente insegurança e também é responsável por ter mantido por tanto tempo como ministro do Interior a uma pessoa absolutamente inepto e incapaz de exercer o cargo. Esta incapacidade, juntamente com o relação cúmplice indisfarçável entre o presidente Lugo e os líderes da associação de assistentes de campo e outras organizações que participaram em inúmeras invasões terra e outros tipos de ataques são aqueles que têm promovido e facilitado o infeliz evento que custou a vida de 17 companheiros, 6 delas pertencentes à Polícia Nacional e foram cruelmente assassinados a sangue frio por criminosos reais também incitou os camponeses e manipulado.
Depois daquele dia triste, que felizmente tem dados importantes e filmes que têm sido generosamente divulgados pelos meios de comunicação diferentes, apenas teve uma posição absolutamente equivocada do Presidente da República sobre o que aconteceu.
Fernando Lugo Méndez e vários de seus ministros, e, especialmente, Miguel Lopez Perito e Esperanza Martinez, têm procurado para tratar igualmente a polícia covarde mortos e que tenham participado nos crimes. O direito de reclamar está consagrado na Constituição, mas ninguém está autorizado a cometer crimes assim pretexto de reivindicar direitos, muito menos tirar a vida de policiais desarmados.
Esta mesma atitude foi expressa na conferência de imprensa dada por Fernando Lugo em relação ao que aconteceu na sala de Morumbi, onde nem mesmo teve a graça prometendo a punição dos assassinos de os policiais e aqueles que instigaram a agricultores a pegar em armas sob o pretexto de lutar por seus direitos.
Presidente Fernando Lugo está levando e incentivando, através de algum Membros do Governo e seus associados que atuam em assistentes acampamento de liderança e outros organizações camponesas, o conflito social e de dimensão imprevisível por incapacidade comprovada não pode resolver.
Pessoalmente, é claro, eu expressar minha convicção de que o caminho da crise e da conflito social e armado que não vai ser o produto de mera negligência ou incompetência Presidente diretamente, mas o objetivo que tem procurado para o tempo foi bispo e agora pretende desenvolver para projetar e construir o seu desejo de regime autoritário, sem liberdades, com a aniquilação da liberdade de imprensa e imposição de um partido professou inimigos da democracia e os aderentes o socialismo do século XXI.
Fernando Lugo e seus ministros devem respeitar o direito de todos os cidadãos, mas é inaceitável e  injustificável que buscam igualar o criminosos e suas vítimas, os assassinos e os policiais que foram covardemente mortos.
Enquanto luto seus parentes mortos, Fernando Lugo deve se encontrar com os líderes e instigadores dos eventos última sexta-feira e Curuguaty possibilidade exibida Fernando Lugo retificar seu comportamento, que tem custaram dezenas de vidas de concidadãos que caíram vítima da insegurança que ele
era responsável e difícil de gerar.
2,4 Protocolo de Ushuaia II.
Este documento constitui um atentado à soberania da República da Paraguai e foi assinado pelo presidente Fernando Lugo ao perverso finalidade de obter um curso de sua flagrante suporte marcha contra instituições e do processo democrático da República.
Este documento já provocou a decisão do Comité Permanente Congresso, destacando a falta de transparência nos processos que deram na assinatura do documento e seu conteúdo a ponto de que até o momento, o Poder Executivo não apresentou ao Congresso para sua informação e consideração. Através
esse documento, os países vizinhos poderão cortar o fornecimento de energia para a República do Paraguai.
O documento, assinado em Montevidéu em dezembro de 2011 para substituir o Protocolo Ushuaia (Carta Democrática do Mercosul), tem suas origens em um documento prévio, apresentado para a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que foi esboçada pelos presidentes da região para proteger o outro.
As características principais do Protocolo de Ushuaia II é a identificação de Estado a figura dos presidentes, em nome da "defesa da democracia", defender um ao outro.
Curuguaty MATANDO CASE 2.5. Tem sido demonstrado pelos acontecimentos do Campos Morombí e Curuguaty, Departamento de Canindeyú, a ineficácia de patentes, incompetência, negligência e improvisação deste governo liderado pelo presidente Fernando Lugo, que merece a acusação de a Câmara dos Deputados para prevaricação funções perante o Senado.
Fernando Lugo, hoje representa o mais nefasto para o povo paraguaio, que é está de luto pela perda de vidas inocentes devido a negligência criminosa e negligência o actual Presidente da República, que desde que assumiu a liderança do país, regras que promovem o ódio entre os paraguaios, a luta violenta entre ricos e pobres, a justiça vigilante e violação dos direitos de propriedade, na tentativa de que maneira permanente contra a Constituição, as instituições republicanas e do Estado de direito.
Sem dúvida a responsabilidade política e criminal dos trágicos acontecimentos registrados 15 de junho deste ano, que custou a vida de 17 entre Paraguai policiais e camponeses, encontra-se com o presidente, Fernando Lugo, que por sua omissão e incompetência, levou aos eventos, de conhecimento público, que não precisa ser provado ser fatos de conhecimento público.
O incidente não surgem espontaneamente, as forças de segurança foi emboscado; não foi premeditado, resultado de um plano bem concebido, planejado e executado para a prática, graças à cumplicidade e omissão do governo de Fernando Lugo, diretamente responsáveis ​​pela crise que atravessa atualmente o nosso amado país.
Uma vez que a Câmara dos Deputados aumentou vozes de advertência, ser imaginou o que é agora uma realidade, a perda de vidas humanas.
Hoje podemos dizer que este é o final que eu queria Fernando Lugo, este sempre foi o plano elaborado por ele mesmo, com o único propósito de criar condições de crise social e desordem interna para justificar uma agressão do presidente Fernando Lugo e seu seguidores para as instituições da República com a finalidade de instalar um sistema de ao contrário do nosso sistema republicano. Este desejo excessivo, nos faz lamentar hoje perdas de vida humana, nunca em números antes visto na história contemporânea do Paraguai.
Todas as provas, que são públicos, que demonstram que os eventos do na semana passada não eram o resultado de circunstâncias incontroláveis ​​decorrentes de um casual, pelo contrário, foi um ato premeditado, que emboscaram a polícia públicos, graças à atitude de cumplicidade do Presidente da República, que agora não só deve ser removido por impeachment, mas deve ser apresentado à Justiça os fatos, para que esta seja uma lição para os futuros governos.
Esses grupos, incluindo Exército Popular auto-intitulados paraguaios (PPE) ou os assistentes chamados acampamentos, fortalecido dia após dia, graças à incompetência e complacência de Fernando Lugo, que em vez de lutar, como era sua obrigação, recebeu e patrocínio do grupo. Não há dúvida de que Fernando Lugo reforçou estes grupos criminosos, que agora não só abertamente desafiam e ameaçam a cidadãos honestos, mas também atingindo o mais baixo você pode soltar um ser humano, que é pôr em perigo a vida do outro. Então, agora importa pouco à regra do Presidente Lugo Direita da vida e humano, em vez de direcções de alisamento, é mantida em posição, afirmando que esses criminosos continuarão a se reunir.
Fernando Lugo é diretamente responsável pelo que hoje o nosso país está a viver dias de luto. Ele e seu poder o ex-ministro do Interior, Carlos Filizzola, deve responder aos cidadãos por parte dos trágicos acontecimentos do Departamento de Canindeyú.
Não há vontade de combater estas formas de violência, muito dano já causados ​​à nossa sociedade, é por isso que devemos cumprir a nossa obrigação Constitucional e iniciar o processo de impeachment para o fraco desempenho contra Presidente da República, que desde que tomou posse o Governo instou o mensurações de falha de ordens de evacuação, bem como a promoção tribunal sem julgamento entre as partes, ou de estocagem de suprimentos e equipamentos para ocupantes de terra têm sido os sinais que marcaram as ações e temperamento este Governo.
3. TESTES ATRÁS DA CHARGE
Todas as razões acima mencionadas, são de conhecimento público, por não precisa ser testado, sob o nosso sistema jurídico vigente.
4. CONCLUSÃO.
O Presidente da República, Fernando Lugo Méndez cometeu prevaricação suas funções em razão de ter exercido o cargo que ocupa de forma inadequada, negligente e irresponsável caos, trazendo e instabilidade política em todo o República, gerando o constante confronto e luta de classes sociais, como resultado final trouxe o abate entre compatriotas, sem precedentes nos anais da história da nossa independência nacional até à data, em tempo de paz.
A causa do mau desempenho no cargo aparece na sua atitude de desprezo pela direito e as instituições republicanas, minando as bases do Estado social Direito consagrado na nossa Constituição. Complacente para atuar como cúmplice por ação ou omissão em todos os casos acima, legitimando este carga.
5 -. DIREITO
Esta acusação é fundada por prevaricação no escritório, em conformidade com o estabelecido no artigo 225 da Constituição.
6. PEDIDO.
6.1 -. Definitivamente, o governo do presidente Fernando Lugo Mendez Armindo grandemente  prejudicados os interesses supremos da Nação, que continuam, apeligra seriamente a coexistência pacífica do povo paraguaio ea observância dos direitos e garantias constitucionais, assim é toda a justificação para aderir à Esta acusação contra o presidente Fernando Lugo Méndez Armindo do Honrosa Senado, para o fraco desempenho de funções.
6.2 -. No mérito dos argumentos acima descritos ditar resolução, se declarar culpado de o presidente Fernando Lugo Méndez Armindo, e, conseqüentemente, longe da posição que ocupa, em conformidade com as disposições do artigo 225 da Constituição 
6.3 -. Assim, o fundo referem-se aos tribunais regulares.


Pelo que entendi, cabe recurso à decisão de impedimento, uma vez que o processo, após o julgamento político, vai à Justiça Comum.
Se vai até lá, é possível que tudo seja examinado finalmente e assim confirmado ou não.

Cabe, então, perguntar se as acusações sobre o ex-presidente Lugo não têm fundamento e se tudo que foi relatado acima pela peça de opinião unilateral aqui no blog é pouco para tal procedimento.

Pelo que conhecemos de nossos políticos latinos em geral, tendem a desqualificar quaisquer ações moralizadoras quando se veem prestes a prestar contas, como muito contundentemente e atual a nossa CPMI do Cachoeira, que se recusa a usar a letra i de sua sigla, justamente por sentir cheiro de queimado na sua vizinhança constitucional.


Mas, também, é outra história.

Não estarão 'nossos líderes' preocupados com o que têm feito e, ao ver tal episódio vizinho e condená-lo - barba em chamas! -, preventivamente urgir proteção capilar de suas faces costumeiramente amadeiradas?
Não estarão buscando um balde de água para esfriar as fibras propícias à propagação de evento ígneo?

Desde ontem, sexta-feira, a História de boa parte do mundo está sendo escrita de forma contundente.

Estará nascendo uma nova Guerra do Paraguai provavelmente, mas não com tiros e canhões?
Torpedos  incendiários morais e certeiros varrerão este continente na primeira oportunidade, doravante?
A qualquer evento mais sério - como se já não os tivéssemos o suficiente - abrir-se-ão as páginas de cada Constituição à procura do artigo que fale de impedimentos?

À molde da Primavera Árabe que varreu todo o Islã, delineia-se a Latina?
Careceria apenas de um estopim, talvez?

É cedo para chegar a uma conclusão.

Esperemos que não no plano armado, mas sim muito mais profunda em todas as faces humanitárias.

domingo, 17 de junho de 2012

É preciso salvar as instituições

É preciso salvar as instituições.
Instituições... Instituições... Qual delas mesmo?

A confusão que se instalou nos últimos anos, quando a cada dia desde então se nos apresentaram situações sem paralelo na lógica mais simples de um cidadão, nos diz que possivelmente nunca as tivemos e se a falsa impressão nos contou coisa diversa é apenas isto mesmo, uma grande e falsa ópera bufa.

Está por aí.

Quando antes neste país um juiz deixou de lado seus colegas no colegiado e deu uma sentença de per si? Quando em épocas anteriores tivemos uma CPI que negara investigação? Em que ocasião um senador ameaçado de cassação entraria com recurso na Justiça, quando seu julgamento é político, procedimento regimental, organizado por regras internas do Poder ao qual pertence e mesmo sabendo que isto não teria cabimento jurídico, ele mesmo alguém conhecedor do Direito?

As Instituições existem quando a maioria as reconhecem como tal. Somente tal aceitação as consubstancia.

Então o que vemos nos três Poderes não é a cristalização dos órgãos a que deveríamos chamar, considerar,  Instituições.

Nossa República está é doente, deitada no leito hospitalar.
Só, sem parentes diretos à vista, na enfermaria de uma instituição particular de segunda categoria, tem por lenitivo apenas a Carta Magna, da qual guarda o romantismo do passado, aquele que pegou em caneta e pôs em letras negras o que gostaria de chamar de futuro. Guarda-a debaixo do colchão, meio cofre, meio prateleirax, de onde retira para dar uma espiadelas no texto, como quem luta por reviver um sentimento passado, como de fotografia de mãe e de pai, já mortos e desenhados em sépia.

Seus filhos aprenderam coisas às avessas e creem que as vantagens individuais são muito maiores que as coletivas, que o que se consegue fora das regras são verdadeiros atalhos à felicidade.

A República não se fez ouvir quando advertiu sua prole dos falsos caminhos, afinal estava ficando velha, ultrapassada, caduca e quadrada, isto é: careta.
Chegara a adverti-la da força reflexiva, que não é possível viver numa casa bonita circundante a um aterro sanitário a céu aberto e permanecer com os pés limpos, principalmente com as mãos limpas.

Em seu leito de morte, mas com vontade de viver se tiver uma nova chance, não há mais lágrimas pelos percalços que seus filhos enfrentam, de tanto que já as derramara.

Sabe que, enquanto houver o Sírio Libanês, estará tudo bem pelo menos para alguns deles.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Avenida Brasil

Um ônibus matou cinco pessoas e feriu mais de vinte outras na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro.
Esta é a manchete dos jornais.

Deveria ser: um motorista de ônibus matou cinco pessoas e feriu mais de vinte outras.

É necessário dar nome a quem faz uma ação; acidental, boa ou má. Não julguemos uma pessoa, mas condenemos o ato, se fortuito ou pernicioso.

A manchete e também nossa tendência é a de tornar anônima as ações humanas e isto planta algo nefasto em nossas mentes. Tendemos, por isto, a transferir a responsabilidade ao acaso: foi o ônibus que matou.

Não. Há uma lista de nomes responsáveis por aquela tragédia. E grande.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Avenida_Brasil_%28Rio_de_Janeiro%29
Avenida Brasil - Rio de Janeiro
Pela Avenida Brasil passam milhares de veículos diariamente, exibindo, na programação televisiva involuntária dos parabrisas, as mais tristes habitações humanas de todo o município.

É o retrato condensado de décadas, séculos, de corrupção, pois o amontoado humano - em suas  várias acepções - é que dá o retrato final, sem retoques, do que se trata na CPMI atual.

O mal do Brasil não é a corrupção. Ela é apenas filha e a Impunidade sua mãe poderosa.
Pertencem à mesma família, mas a matriarca é que realmente manda.
Não obstante ser filha adorada, é deserdada sem preâmbulos assim que sua genitora se vê - agora desnaturada mãezinha -, confrontada pela Honestidade, sua inimiga mortal.

Brasília dá mau exemplo, por sua natural influência psicológica e política na população; começa por lá os altos desvios, a alta corrupção, cujos fotogramas desta fita infeliz revelam cárceres superlotados, favelização, serviços ruins, avanços de sinal, violência nos estádios de futebol, professores ameaçados e agredidos, terminando por desembocar seus sedimentos malcheirosos num delta lodoso de rio infame.
Passa em velocidade controlada, a compor a obra cinematográfica final, usando a persistência da visão e da memória.
A lista de quadradinhos deve parar por aqui. Este humilde blog não tem papel suficiente para listar todo o filme.

Esta árvore aquosa é invertida; suas raízes em cabeleira fixam-se lá no alto em terreno tóxico, para desabrochar flores e frutos mirrados, doentes e pálidos na base, cá em baixo, de ponta-cabeça.

Nestas sequelas imagináveis e inimagináveis, destacam-se os maus serviços, principalmente os de transportes concedidos, caros diante do retorno que dão à população.
Muito caros. Custam R$ 2,75 por viagem sobre pneus e um valor próximo disto para trilhos e meio aquático.
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tinha coletivos com ar-condicionado. Hoje se contam nos dedos - da mão esquerda somente - a quantidade existente deles.
Os demais fazem sofrer milhares de pessoas sob temperaturas muitas vezes acima de 38 graus em muitos meses no ano.

E nesta semana muitos esperavam num ponto de ônibus a hora de embarcar, mas morreram com os tais R$ 2,75 no bolso.

A Impunidade gargalhou naquele momento, numa avenida chamada Brasil.

Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça

É burlesca, dentro da tragédia com que convivemos no cenário político brasileiro, a reação de alguns parlamentares a qualquer sinal de coisa queimando, seja indicativo de amendoim torrado na carrocinha da esquina, quiçá um incêndio no corpo central do edifício onde more.
Não lhes importa: havendo fumaça, é incêndio na certa; e sempre na sua própria vizinhança.
Para eles, acostumados a tantos apontamentos por suspeitas de atitudes pouco ortodoxas, urge reagir imediatamente a qualquer palavra em tom mais elevado de um de seus adversários.
Antes mesmo de análise de mérito.

Foi o que aconteceu ontem na CPMI, quando o deputado Miro Teixeira levantou uma questão.
http://pt.wikipedia.org/wiki/miro_teixeira
Deputado Miro Teixeira
Pedia investigação sobre o envolvimento de parlamentares com o sr. Cavendish em Paris - mais uma vez a capital francesa como ponto fulcral -, durante a Semana Santa deste ano, vinte dias antes do início da CPMI do Cachoeira.

O deputado não fizera acusações. Pedira apuração.

http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Vaccarezza
Deputado Cândido Vaccarezza
Por seu turno, o deputado Cândido Vaccarezza - de olhar perdido, do alto de sua sensibilidade epidérmica aflorada, onde  nenúfares brotoejantes extemporâneos e recentes no outono de sua carreira soem aparecer em profusão como gigogas no pântano - levantou-se para contestar o requerente, acusando-o de leviandade ao aproveitar-se de imunidade e foro privilegiados para acusações sem rostos.


Isto, como de outras vezes, equivale a uma assinatura num recibo. Equivale, ao lançarmos mão de uma prática no futebol de várzea, anular o lance de um atacante por perigo de gol. Desejava, antes mesmo de haver um fato, que nomes fossem dados. Incluiu-se, deste modo, num esquema criado por ele mesmo, que urgia sacudir fora do corpo vigorosamente, como fazem os lanosos encharcados.

Aqui entra a  parte risível - um esgar, na verdade - do que anda no coração e mentes dos integrantes do estado brasileiro: a investigação é deletéria, pois, deduz-se, pode-se encontrar algum crime no fim do procedimento.
E é por isto também que negaram a investigação da Delta nacional, preliminarmente e, teimosa  repetidamente, a convocação do ex-presidente da empresa considerada inidônea.
E persona non grata pelo próprio governo que sustentam!

A barreira para aprovar a investigação em âmbito global da Delta caiu, mas não a má vontade de fazê-la. Continua travada por postergações.
Certamente cairão os argumentos para evitar o chamamento do dono da Delta, mas decorrerão alguns dias até isto acontecer.

Não obstante a reação preventiva do sr. Vaccarezza, nomes já apareceram hoje de manhã nos jornais. E é fato confirmado por um deles, o senador Ciro Nogueira, um dos participantes da reunião em França.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_Nogueira
Senador Ciro Nogueira
Poderão dizer, quem sabe, que, embora instalada, a Comissão não havia convocado ninguém e que deste modo não haveria contaminação entre a moral e a praticidade dos jantares, mas a verdade parece escapar-lhes das mãos.

Cabe perguntar, então sob esta hipótesse e também por outro lado, se vergonha e compostura dependem de calendário, de evento, sabidos que eram dos andamentos da Delta nos noticiários muito antes do início dos trabalhos da Comissão.
Acresce-se aí a participação suspeita na sabatina de ontem: não era o caso de se considerarem impedidos, uma vez que fortuitamente se encontraram com o investigado?

De há muito que o sr. Cavendish usara lenços cândidos na cabeça naquela capital europeia; muitos meses antes desse encontro cacumbúnico, as solas rubras dos sapatos das primeiras-damas da irmandade Delta pisaram o bom-gosto e o comedimento naquelas latitudes.
Tudo indicativo, sintomático e umbilicalmente ligado às famosas  palavras de Maria Antonieta   - embora historicamente duvidosas de haverem sido proferidas por ela e alheia à dificuldade do seu povo. A rainha cometera um pecado venial, em comparação com o que se pressente ter sido falado nos vários negócios estranhos até aqui, por detrás do que foi escrito, razão das recusas à investigação em terras brasileiras.

E o mais esquisito é que a Polícia Federal coletara todos os indícios, provas e contrapovas das irregularidades. Só faltam ser julgados pelo Poder específico.

Enfim, investigação parlamentar é uma palavra revogada na reforma ortográfica da maioria cepeemeísta.
Investigação não é inquérito? E CPMI não é o mesmo que Comissão Parlamentar Mista de Investigação?

Quem sabe tentam revogar o sinônimo também; só por via das dúvidas.






quarta-feira, 13 de junho de 2012

Acertando relógios

As disputas políticas através da CPMI estão bastante enxadrísticas, segundo se vislumbra no geral.
E, em Brasília e alhures, dizem, o mais bobo conserta relógio no escuro usando luvas de boxe.

E, destarte, não seria nada estranha uma hipotética conversa como esta:

- Venho aqui de coração aberto pedir ajuda. Amanhã vou depor na CPMI e estou bastante vulnerável...
- Do que precisa, Agnelo?
- Que não me apertem muito, que me defendam na sessão.

Seu interlocutor coça o queixo, que é o que os grandes homens sempre fazem, quando recorrem a suas experiências vividas.

- Bem, faremos assim: você apresenta sua versão conforme fez o Marconi e do jeito que você combinou com seu advogado; aí vamos entrar com uma tática adicional.
- Qual, qual? - responde o requerente de alma enfrangalhada; vislumbra uma ponta de esperança.
- Diga lá que você abre seu sigilo bancário, telefônico, escrito, tudo aos membros da Comissão...
- Com todo o respeito, não posso... Abrir? Acho que não entendi muito bem... Não vai dar certo... Vai ter coisa lá que posso não conseguir explicar por vários motivos...
- Não se preocupe, homem de pouca fé... Não se lembra que temos a maioria? Basta um telefonema para os líderes e ninguém vai votar a favor disto... Mas, veja bem, você vai ficar muito bem na fita e o Marconi vai revirar na tumba!
- Se me permite, o Marconi não morreu ainda...
- Tá morto politicamente e amanhã você vai acabar por enterrar ele. São duas coelhadas com um cajado só... Quer dizer, uma cajadada e dois coelhos: você se safa e ele se ferra. Ele andou incomodando há tempos.

Agnelo abre um imenso sorriso. O outro continua:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnelo_queiroz
Agnelo Queiroz
- Veja que Marconi não quis nem ouvir falar de quebra de sigilo, de modo que sua atuação vai justamente se posicionar no limite extremo à dele. Você tem tudo a ganhar e ele vai morder os beiços de frustração. Cheque duplo!

Agnelo reflete por alguns instantes.

- Dizem que é melhor ter um amigo na praça do que dinheiro no banco, agora entendo bem o que isto significa.
- Vai em paz...
- Boa noite... - responde, já entendendo que nada mais precisa ser dito e que está em mãos boas e competentes.

Já não é aquele homem arrasado que entrara naquele gabinete. A vida, enfim, é boa.

 Agnelo estende a mão, comovido, com lágrimas inundando a alma. Em seguida dirige-se à porta; para, volta meio corpo, inclina-se levemente em direção à cadeira de espaldar alto e sorri, em sinal de admiração e respeito, fechando a porta atrás de si.

Cai o pano.

No dia seguinte, dito e feito, o governador do Distrito Federal se defende como pode na CPI e, num certo ponto estratégico, respira fundo e lança sua cartada triunfal combinada.

A reação é imediata, o burburinho se instala, palmas espocam aqui e ali - a princípio tímidas para, em seguida, tornar-se um alarido vigoroso, a explodir na base aliada. Seu coração se aquece: "Alea jacta est!".

Logo os jornais falados e escritos retumbarão o grande gesto; um tapa na cara de Perillo com luvas de pregos e embebidas em álcool.
Dera certo. Não se falou noutra coisa. Agnelo saía à frente numa Ferrari de fórmula-um na corrida dos bons costumes e expunha sua honestidade estridente contra o silêncio ensurdecedor da culpabilidade escamoteada de seu concorrente moral.

Quilômetros dali, Marconi cofiava uma barba imaginária e pensava com seus botões.

"Este Agnelo é esperto... Ponto para ele..." - pensou, enquanto lançava uma praga sem palavras sobre o que considerava um teatro.

Marconi se afunda na cadeira de couro macio e pensa no que fazer. Deverá haver um meio de reverter isto? Parece que não, até que algo nasce no fundinho do terreno perdido, desenrolando sua primeira cambuquira timidamente. Em poucos minutos se alastra horizontalmente e logo logo alguns frutos reconchudos inflam-se como balões vegetais.

"É isto... É isto... Repetia para si...".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Perillo
Marconi Perillo
- Secretário! Secretário... Quero falar com os líderes da oposição e com os integrantes do partido. Vai pondo um a um no telefone, por favor. Rápido!

Alguns minutos após:

- Alô, meu líder! Que prazer... Tudo bem, tudo bem... Caminhando... Isto... Isto... Ó, gostaria de comunicar que desejo abrir meu sigilo bancário, de telefone, de tudo para a Comissão... Isto, isto... Por quê? Bem, porque Agnelo abriu o dele, não posso ficar nesta posição...

A conversa se repetiu nos demais telefonemas.

Quilômetros dali, de volta ao cenário mais próximo à Comissão, um telefone toca.

- Agnelo!
- Ah! É o senhor! Estou muito agradecido! Maravilha!
- Agnelo! Maravilha coisa nenhuma... A coisa degringolou!
- Como? Não ouvi bem...
- Ouviu, sim... Degringolou...
- De... Degrin... Degringolou? Mas os jornais não falaram noutra coisa, sempre a meu favor desde que acabou o depoimento!
- Agnelo! Escuta bem. Era uma abertura de mentirinha, fake, não lembra?
- Si... Sim... - gaguejou Agnelo, pressentindo algo ruim.
- O Marconi abriu o sigilo dele também!
- Ué, mas eu saí na frente! Se quiser abrir o dele, que abra! Agora é tarde para ele, o impacto já passou...

O interlocutor respira fundo.

- Agnelo! - repetiu o nome do apadrinhado pela quarta vez naquela conversa - Tu não estás vendo... Estás embriagado pela tua vitória de Pirro: vais ter de abrir o teu sigilo! - disse a Voz,  agora aplicando o pronome mais verrumoso para o momento, sem, contudo, deve ser ressaltado, cometer o erro de concordância da desastrada mensagem de Vaccarezza ao governador Sérgio Cabral.
- Ai! Por quê?
- Agnelo! - repetiu o interlocutor, já perdendo a conta das vezes que repetira o chamado - Não tem como te blindar mais; a Comissão vai ter de votar o sim! Marconi sairia livre, se votássemos o não para ti, por analogia.

Silêncio do outro lado da linha.

- Agnelo! Agnelo? Agnelo! Agnelo? - a Voz chamava, já não dando mais atenção à aritmética.

Um plaft, uma perfeita onomatopeia, foi tudo que ouviu. A Voz, sem entender bem, olhou o fone em suas mãos, consultou o relógio, pôs o fone no gancho e pensou lá com seus botões: "Ah! Novatos... Novatos..."

A vida imita a arte e, a arte, a vida; e, nesta república, tudo é ficção.