É preciso salvar as instituições.
Instituições... Instituições... Qual delas mesmo?
A confusão que se instalou nos últimos anos, quando a cada dia desde então se nos apresentaram situações sem paralelo na lógica mais simples de um cidadão, nos diz que possivelmente nunca as tivemos e se a falsa impressão nos contou coisa diversa é apenas isto mesmo, uma grande e falsa ópera bufa.
Está por aí.
Quando antes neste país um juiz deixou de lado seus colegas no colegiado e deu uma sentença de per si? Quando em épocas anteriores tivemos uma CPI que negara investigação? Em que ocasião um senador ameaçado de cassação entraria com recurso na Justiça, quando seu julgamento é político, procedimento regimental, organizado por regras internas do Poder ao qual pertence e mesmo sabendo que isto não teria cabimento jurídico, ele mesmo alguém conhecedor do Direito?
As Instituições existem quando a maioria as reconhecem como tal. Somente tal aceitação as consubstancia.
Então o que vemos nos três Poderes não é a cristalização dos órgãos a que deveríamos chamar, considerar, Instituições.
Nossa República está é doente, deitada no leito hospitalar.
Só, sem parentes diretos à vista, na enfermaria de uma instituição particular de segunda categoria, tem por lenitivo apenas a Carta Magna, da qual guarda o romantismo do passado, aquele que pegou em caneta e pôs em letras negras o que gostaria de chamar de futuro. Guarda-a debaixo do colchão, meio cofre, meio prateleirax, de onde retira para dar uma espiadelas no texto, como quem luta por reviver um sentimento passado, como de fotografia de mãe e de pai, já mortos e desenhados em sépia.
Seus filhos aprenderam coisas às avessas e creem que as vantagens individuais são muito maiores que as coletivas, que o que se consegue fora das regras são verdadeiros atalhos à felicidade.
A República não se fez ouvir quando advertiu sua prole dos falsos caminhos, afinal estava ficando velha, ultrapassada, caduca e quadrada, isto é: careta.
Chegara a adverti-la da força reflexiva, que não é possível viver numa casa bonita circundante a um aterro sanitário a céu aberto e permanecer com os pés limpos, principalmente com as mãos limpas.
Em seu leito de morte, mas com vontade de viver se tiver uma nova chance, não há mais lágrimas pelos percalços que seus filhos enfrentam, de tanto que já as derramara.
Sabe que, enquanto houver o Sírio Libanês, estará tudo bem pelo menos para alguns deles.
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