quarta-feira, 27 de junho de 2012

A mão invisível

Há décadas que o Brasil luta contra a inflação.

A mais feroz iniciou-se com o sr. Juscelino Kubitschek, na década de 50, e só veio a arrefecer o seu ímpeto  trinta e cinco anos depois com o sr. Itamar Franco e, em seguida, com o sr. Fernando Henrique Cardoso.
Neste caminho, passou pelo tempo do sr. João Goulart, acelerou os índices nos anos da ditadura dos militares, vindo a explodir durante o mandato do sr. José Sarney, e virando de cabeça para baixo o país inteiro no governo do sr. Fernando Collor.

Há que se registrar que, sem exceção, todos os países da América do Sul tiveram seu maior período inflacionário durante a permanência dos militares no poder e que todos, também sem exceção, controlaram a inflação na mesma época. Coincidência ou ingerência externa e interna do início ao fim?
Difícil acreditar em acaso quando se fala em política.

Mas isto é outra história.

Vivemos de Planos, mas sem um verdadeiro planejamento. Os ministérios brasileiros são verdadeiros cabides de emprego e o do Planejamento sabe muito bem a que veio e o quê para quem faz.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adam_Smith
Adam Smith
Um parênteses aqui: a rigor, bastavam dois ministérios; o da Saúde e o da Justiça. O resto é um modo de retribuir dívidas de campanha e recompensar coligações que atapetaram o atalho ao poder.

Em frente!

O sr. Lula e d. Dilma já têm os seus planos; herdados e criados, vários. Alguns empacaram e outros seguem sendo financiados por boa parte da população ativa, e servindo de modelo para o mundo.

Historicamente, em nenhum deles pensou-se em pôr o país nos trilhos industrialmente, treinar mão de obra, proporcionar insumos apropriados, desenvolver o intelectual universitário em prol da cidadania.

Assim como a inflação, também ouve-se há décadas que o nosso parque industrial é insuficiente para atender à demanda interna por produtos.
E quando estará afinado com esta necessidade, afinal?

Já houve tempo suficiente para implementarem medidas estruturais que permitissem às nossas indústrias produzir a preços competitivos com o Exterior, mas o que nos vêm à mente é que a oligarquia capitaneada pelas federações patronais da indústria prefere manter tudo assim mesmo.

Se precisar, aciona os mandantes, que vão baixar um pacote de incentivo ao consumo e setorizar os ganhos decorrentes da medida.

Como toda maquiagem, quaisquer destas medidas se esvaem com o tempo, até que um novo pacote vem salvar os deitados eternamente em berços industriais capengas - mas esplêndidos de verniz.
Os bebês paridos tradicionalmente por estas artes plásticas, nos parece, sentem muito cansaço para lutar por melhorias reais.

A partir de um maior consumo e sem a devida poupança prioritária, a população se endivida, a taxa de juro sobe nos empréstimos bancários para compensar a inadimplência galopante decorrente do chapéu posto mais alto do que o pulso e o ciclo se fecha, ao endividarem-se mais por terem de pagar um acréscimo na devolução do valor emprestado.
Tudo isto para a festa dos credores avessos ao risco, apoiados pelas instituições governamentais que lhes garantem a continuidade.

Claro que isto tem um limite, como no golpe das pirâmides a engolir os incautos, tentando fazer com que acreditem que é possível tirar rendimento do nada.
Mais cedo ou mais tarde o modelo se esgota, mas certamente terão mais um pacote a vigir por um período ainda mais curto em eficácia.
Mas o umbigo é logo abaixo dos olhos, o Brasil tem sido um mar de tranquilidade, um oásis no seio da crise mundial, por que mudar, já que somos todos capitalistas e as regras são estas?

A certeza que temos é que a indústria cosmética tem mesmo muito que comemorar vendas.

Adam Smith por certo não quis dizer isto, mas a intervenção invisível que consertaria o mercado naturalmente, conforme preconizara em sua hipótese de economia política, tem cumulativamente metido os pés pelas mãos.




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