Diz-se que perigoso é o covarde, não o poderoso.
Se Freud explica por outro jeito, possivelmente não invalidaria pelo menos uma ideia de leigo a respeito, que sustente ser consciente de sua força alguém que não se preocupa com o que pensam de si.
Ao contrário, o covarde tende a afirmar constantemente uma força que não tem, mas conhecido que é e não levado a sério, passa à violência como forma de contornar sua grande frustração.
Os humilhados têm comportamento semelhante e são presas dos manipuladores de ressentimento.
Se bem articulados, passam a ser manipuladores de outros com grande eficiência, por justamente conhecerem as próprias fraquezas e assim aplicando o mapa de seus medos aos caminhos e atalhos para atingir o ponto mais sensível da almas conturbadas.
Hitler foi um grande gerenciador de marionetes extremistas, exemplo típico desta dualidade humilhado-manipulador e fez crer a maioria da população da Alemanha, arrasada e também humilhada pela Primeira Guerra Mundial, que o inimigo estava em toda parte e que, por isto, urgia massacrá-los.
A vingança por humilhações sofridas, verdadeiras ou imaginárias, é o instrumento dos fracos para anular suas decepções.
A Grécia está humilhada. A autoestima de seus cidadãos é visivelmente baixa. Está uma presa fácil dos manipuladores; basta um discurso nacionalista para acender o estopim e a deixa foi lançada: a organização Aurora Dourada já começou a aproveitar-se disto e seus primeiros frutos já se fazem visíveis, assim como as verdadeiras intenções por detrás das belezas cantadas em prosa e verso aos olhos de seus doentios seguidores.
Já sabemos como isto irá terminar. Eles sabem, mas ainda sequer começaram a pensar nisto.


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