segunda-feira, 4 de junho de 2012

O presidente suprapartidário

http://pt.wikipedia.org/wiki/Supercondutor
Flutuando acima de sua plataforma


O Lula não é do PT; o PT não tem Lula como um de seus membros, embora esteja lá registrado, preto no branco. Parece ter.

Uma pessoa tão importante não tem um cargo no partido. Por que será?

Lula quer distância do PT, a não ser no que toca sua biografia, no que lhe dá sustentação. Sem a história do PT, neste caso, o ex-presidente seria filho político da geração espontânea.
A tradição reza que ele era operário, metalúrgico, trabalhador que perdeu um dedo trabalhando duro, segundo a versão oficial, tudo muito bonito e romanticamente vantajoso.

Mas Lula sabe que o PT é uma caixa de pandora, por tantos interesses contraditórios amarrados com mão de ferro por alguns. A deixar os membros soltos, se diluiria no ar, sem deixar vestígios como legenda, autofágico. Assim, seus comandados-seguidores são enquadrados rigidamente, atiçados quando preciso, como uma boiada de chifres afiados muito bem treinada. Sem o berrante do chefe, ou se percebem a voz rouca do instrumento, seguem como nasceram, perdidos, desnorteados, à cata de uma identidade.

Lula se aparta de tudo que lhe pode trazer incômodo. Não assume responsabilidades que lhe possam exigir uma posição firme, principalmente em momentos críticos. Manobra inteligentemente para que as coisas graves caminhem para um desfecho cujos atores e autores resolvam autonomamente. Assina as cartas de demissão com lágrimas no olho. Em um apenas.

Nunca se deixa fotografar sobre um pano de fundo que não seja o de uma bela paisagem.

Foi bem nítido isto em todos os ministros que caíram por corrupção: nenhum foi demitido; todos enviaram carta pedindo sua exoneração. Lula fica assim longe de ter demitido alguém, sendo obrigado a reconhecer que fizera uma má contratação e responsabilizado por isto.

Também é clara a rejeição de Lula às adjacências das catástrofes naturais, como sua ausência por ocasião das enchentes terríveis de Santa Catarina. Há poucos anos, limitou-se a sobrevoar os terrenos destruídos, comodamente a evitar os fotógrafos no terreno da tragédia e com a ligação remota que fosse a um país mal dirigido.

Se, inadvertidamente, aparece diretamente envolvido num situação embaraçosa, some e manda nota por boca de terceiros, como no caso do imbróglio com o ministro Gilmar Mendes.

Tem havido terceiros disponíveis para aliviá-lo das curvas traiçoeiras do caminho escolhido e isto é notável, embora as coisas parecem estar um pouco diferentes na reverência a Lula, mas isto merece um outro post.

Corre riscos pequenos, no seu entender, quando deseja algo, apoiado na imensa massa de seguidores que não se preocupa com o que acontece em Brasília, desde que os valores dos programas sociais pinguem em suas contas.

Como líder espiritual, está mais para Jim Jones; de Martin Luther King, remoto.
Sem blasfêmia, pensa ser um tanto próximo de Jesus Cristo pelo milagre da volta à vida partidária de Palocci durante um tempo. Lembre-se que mesmo o Rei dos Judeus não impediu que o ressuscitamento verdadeiro, no famoso milagre de Lázaro, fosse temporário, pois o rapaz veio a finar-se em ocasião posterior, desta vez definitivamente. Quem sabe Lula ainda acredita ter dons para mais uma vez beneficiar Palocci, contrariando a lógica das coisas?

Mas o reinado está chegando a fim. Por abuso, por excesso. Era uma fórmula que poderia dar certo por muitos e muitos anos, mas bastaram oito deles para expor a verdadeira face de Lula e seus seguidores.

Ensina o ditado, se não me engano lembrado ou criado por Tancredo Neves, quando a maladragem é muita ela acaba engolindo o malandro.
Seus atos andam amarrando suas pernas. Por consequência e por ligação obrigatória, o partido de sua fundação tropeça com mais retumbância.

Se se pudesse trazer da Física, especificamente da Termodinâmica, o fenômeno da entropia, veríamos a tremenda necessidade de energia necessária para manter a ordem neste segmento da política nacional.
E energia requer fonte; nenhum recurso que a sustente é inesgotável, tudo tende a um fim, enquanto deixa resíduos cada vez maiores, perigosos e incômodos.

É o que já parece acontecer após os dois mandatos de Lula.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com crítica serão sempre bem-vindos, desde que não haja ofensa a qualquer pessoa, cuja avaliação é feita discricionariamente pelo moderador.