terça-feira, 5 de junho de 2012

Fausto

Ainda bem que a inteligência e a esperança são dois fatores humanos automáticos. Não precisamos acioná-las. Já estão prontos por natureza divina.

Podemos acionar a memória, comparar situações, mas o desfecho, que é o filho da inteligência, não é controlável. Não se pode dizer que a inteligência é uma ferramenta nossa, obediente, pois se assim fosse resolveríamos problemas matemáticos quando quiséssemos e não tão-somente após apresentar ao cérebro dados e mais dados, experiências e experiências, até que - ora viva! - a luz se acende.
Fausto
Fausto, de Rembrandt
É tão independente que, após todo este esforço, pode ser que a luz ainda permaneça apagada.

Da mesma forma, a esperança pode ser pisoteada durante o dia e à noite, mas estará nova na manhã seguinte.

Não há vida sem a existências de ambos, estes recursos humanos.

Mas a inteligência parece ser o único deles que se pode postergar e é o que me parece que os políticos fazem, a despeito das lições de cada dia.

O PSDB quer (?) Serra para prefeitura de São Paulo e, para isto, precisa de coligações, pois nenhum partido tem votos sozinho para alçar algum candidato a qualquer cargo público.
O partido vai coligar-se ao PR.
Parece fingir que a inteligência não existe. Vira o rosto às evidências, para, quem sabe, não ter de encará-las frontalmente.

Serra, Kassab e Alfredo Nascimento estão nesta foto. Aldredo Nascimento, de memória tão recente, convidado a defenestrar-se sob o governo Dilma por acusações de desvios de conduta, aparece em primeiro-plano.

A esquisita reunião com clima de velório abriga alguém a dormir de pé na vigília; um outro  a espreitar o futuro com certo pasmo, saído de um episódio do Senhor dos Anéis; mais um outro a olhar o chão para não ter de encarar ninguém; Kassab parecendo perguntar o que faz ali; Alfredo tentando sorrir na hora difícil e Serra, inclinado, tentando equilibrar-se e sem saber o que dizer.

O quadro parece completo: há um personagem ao fundo, discreto, sósia do falecido Anthony Quinn, grande ator americando de ótima memória, a sorrir maliciosamente na coxia logo atrás da trinca, talvez o único consciente do futuro que se vislumbra a partir dos acontecimentos a que, infelizmente, estamos tendentes a achar normais.
Mas há um personagem oculto apenas na foto: Valdemar Costa Neto, réu do Mensalão, praticamente dono do PR, o mais influente e sempre nos bastidores.

A vaidade é má conselheira. Achar-se perfeito para um cargo não legitima os meios para alcançar a posição pretendida e a régua com que nos medem depende do calibre de nossas companhias.

O PSDB continua PSDB.


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