sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Revelações restauradoras

As discussões no plenário do Supremo Tribunal Federal, antes do julgamento do Mensalão, sempre  televisado, era 'traço no ibope', ou seja, a audiência costumava ser mínima.
Naquele tempo, a quem se detivesse na tela da TV Justiça durante os julgamentos do STF, parecia  observar um aquário, no qual a vida subaquática era objeto apenas de curiosidade, sem vínculo com o cotidiano do espectador. Um compartimento distante a exibir códigos ininteligíveis.

A Ação 470 trouxe à luz o que havia de vaidade, exibe as diferenças pessoais e revela as tendências políticas.

Antes de serem os bate-bocas escândalos desacochados, pode-se entrever uma limpeza - o que o linguajar comum poderia chamar de freio de arrumação, aquele que no momento de um desconforto geral num transporte coletivo com excesso de passageiros gera uma parada brusca a ameaçar lançar todos ao chão. Rapidamente  após o caos, faz surgir os espaços antes inexistentes e o apinhado veículo passa a respirar.

Isto nos faz pensar - naqueles tempos das bonanças aparentes - quantos julgamentos foram feitos e quais forças estranhas puderam interferir no resultado.

A exposição da humanidade de cada um, antes de enfear o até então sisudo e distante Tribunal, traz um sopro de vitalidade, abre o a cortina do palco - antes insuspeitado - onde se passa o enredo de nossas vidas diretamente.

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