O Planalto Central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.
Este é um trecho introdutório de Os Sertões, do grande Euclides da Cunha.
Se, por metonímia, entendermos que o sujeito geográfico do primeiro período estampado nesse intróito refere-se à origem da corrupção no Brasil, o simbolismo geológico se adapta perfeitamente entre a origem e o destino de seu fluxo.
Parece que todo o Mal, neste aspecto, vem de Brasília - poder maior em representatividade da federação, cuja natureza é abarcar todos os estados -, a descer abruptamente para o Sul, onde há mais dinheiro do que em qualquer outra coordenada geográfica em solo brasileiro.
Na próxima semana, o Supremo Tribunal Federal iniciará o julgamento do capítulo que é tratado por Núcleo Político na denúncia apresentada, e esperemos que a justiça seja feita, a fim de que, por também exemplo maior, estanquemos o jorro fétido em seu nascedouro.
Valor maior do que a punição, será o exemplo inibidor de futuras maquinações nefastas, que fazem criar filas em hospitais, choros nas famílias, problemas psicológicos nos desvalidos e aumento no número de covas nos campos santos.
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