sábado, 7 de julho de 2012

Dividir para conquistar

http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADbia
Forças estrangeiras na Líbia
Hoje os líbios irão às urnas pela primeira vez em quase 60 anos. É muito tempo sem exercício democrático para passar facilmente à aceitação pelos competidores qualquer derrota na busca por um dos duzentos assentos no Congresso Nacional.
Provavelmente saberemos em breve que, após as eleições de hoje, sangue será derramado. Infelizmente.

Para os árabes todo aquele que fala sua língua é também um árabe. Não haverá também aí um indício da falta de união, de identidade regional?
É muito pouco para afirmar, mas parece ser uma pista.
Nas nações com divisões religiosas e tribais, à falta de um líder, de um unificador forte e carismático, a organização legal do pais fica sobremaneira dificultada.

É um ensinamento milenar o de que para conquistar um território qualquer é necessário diminuir o moral da tropa adversária e dos habitantes, insuflando intrigas, dividi-los no objetivo comum; de todos aqueles, enfim, que de alguma maneira possam resistir à conquista.

Uma ação militar, ou política, entretanto, pode nem estar a caminho antecipadamente para que isto seja posto em prática; ela pode vir após a constatação de que a possível presa é dividida por natureza.

Esta é a tragédia dos países africanos como um todo. São divididos por natureza. Há milhares de comunidades com seus idiomas, suas crenças religiosas, suas culturas particulares, suas etnias, todas estas faces amarradas contra as suas vontades por um poder local interesseiro e violento, apoiado geralmente por forças -  armadas ou não - externas, aquelas que justamente enxergaram a oportunidade econômica na fraqueza global do bloco humano sob sua observação.

A Primavera Árabe desejou sacudir de suas costas a canga que lhe foi posta há mais de meio século, mas será necessária a unificação de idéias e de interesses para que o esforço não seja em vão.
Mas não é coisa que enxergamos ser possível, infelizmente.

A acontecer tal apreensão, uma nova exploração de sua gente pelas mesmas forças com nomes diferentes deixará tudo como antes, não obstante diversa da intensidade de outrora. A diferença é que durará menos tempo, mas derramará mais sangue.

Esperemos estar errados numa e noutra consequência.



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