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| Elemento radiativo |
O Mensalão é a representação maior, o símbolo e origem da ausência dessas necessidades básicas e inadiáveis em nosso país presentemente.
Os desvios apontados na Ação Penal 470 não só diretamente ocasionam um mal econômico coletivo nessas áreas, mas também eles próprios são frutos de impunidade em casos semelhantes e de menor monta, já maléficos no passado, ápice de pirâmide de adobe fétido montada paulatinamente através dos tempos, ensejada pelas ditaduras ocasionais, onde o silêncio e a não confrontação com as 'autoridades' era a ordem vigente.
A prática é tão enraizada na vida pública brasileira que, durante estes sete anos em que se desenrola o processo, os indiciados pela Polícia Federal através da operação Monte Carlo não se sentiram inibidos de tecer uma rede tão grande, senão maior, quanto a do Mensalão.
Isto é, a possível punição aos 'mensaleiros' por atos semelhantes não era coisa que lhes dissesse respeito.
É como se vivessem um ponto de não-retorno, um veículo sem breque ladeira abaixo, não havendo como freá-lo por iniciativa de seus membros, pois as ligações criminosas criam vida própria e, assim, seguem automáticas por sua real natureza, alavancada pela facilidade de ação.
Os atos humanos têm consequências, independentemente de suas intenções originais, e uma má ação individual não se cambia em benefício coletivo; muito menos os crimes coletivos trazem melhorias à população.
A corrupção enseja uma reação em cadeia, destas que na Física se explica como uma bomba atômica pode ocasionar tanto estrago: Após uma determinada quantidade de 'combustível', a partir da purificação do produto básico, após o primeiro nêutron ser lançado em direção a átomos à beira da instabilidade, nada mais é possível fazer para conter a dispersão energética súbita, pois o primeiro núcleo a receber o petardo lança em todas as direções outras partículas imunes às interações elétricas que poderiam inibir a reação.
Tal sinuca descontrolada fará chocar e romper uma quantidade maior de núcleos, acelerando o processo inicial numa progressão geométrica irrefreável.
Os nêutrons na política são os integrantes do estado que têm costas quentes. Aqueles, os que não são punidos. Aqueles mesmos que sequer foram julgados, consequentemente não penalizados pela ordem de devolução do que amealharam ilicitamente.
São os não-repelidos pelas forças legais; são os que darão o exemplo de como agir a outros potenciais nêutrons de moral fraca por natureza, a espera apenas do primeiro tiro na massa pública, o sinal, cujos átomos primordiais são os partidos sem ideologia a deflagarem partículas a valer por todo o tecido estatal.
Não havendo carga elétrica, inexistindo polaridade ideológica, para onde apontar o nariz da força que lhes interessa e move, vão-se.
O resultante de tudo isto é um corpo moral contaminado pela radiação tóxica, aquela que não se vê imediatamente, mas que nos torna todos doentes, e sem direito a leitos hospitalares.
Que o STF seja como as barras de prata, cádmio e índio, que refreiam o descontrole nuclear, e que não negue também sua reação em cadeia aos condenados.

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