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| Piranha |
Dizem que se pune a intenção, tenha ou não sido completada.
Certa vez disseram-me como ilustração desta assertiva, que um juiz de futebol apitou um pênalti contra um time, cujo zagueiro, galhofeiramente, levantara o braço na direção de uma bola chutada praticamente em sua direção. Para tornar o fato estranho, nem se fosse um super-gigante ele a teria alcançado, pois a pelota foi parar lá na arquibancada, a metros do gol. Era-lhe humanamente impossível interceptá-la.
Imediatamente cercado, como sói acontecer nos jogos aqui no Brasil, explicou que, embora o defensor não tivesse a menor possibilidade de interromper a trajetória da bola, sua intenção fora aquela e, portanto, sua pantomima justificava a penalidade.
Não sei o que lhe aconteceu em seguida, mas não é difícil de imaginar.
Seria o lendário Mário Vianna, lá nos muitos idos dos anos sessenta?
Se realmente aconteceu ou não, serve ao nosso propósito.
O sr. Raul Filho, prefeito de Palmas (TO), parece ser uma pessoa confusa: troca a antiga figura do bode pela do boi. Talvez acredite serem da mesma classificação zoológica.
Confunde também intenção com realização, ao defender-se.
Quer passar a ideia de que não cometeu nenhum deslize, uma vez que sua intenção, aquela de facilitar os negócios ao contraventor Carlos Cachoeira, segundo suas próprias palavras, não foi à frente.
Quis dizer que teria cometido uma falta grave se sua intenção tivesse se tornado uma realidade, mas, como não foi, é inocente.
É... Quem sabe ele não estaria se tornando um bode-de-piranha, um mártir para a passagem rápida e incólume de correligionários seus num rio de peixes vorazes?
Sr. prefeito, político não pode estender a mão em direção a qualquer bola.
Sr. prefeito, político não pode estender a mão em direção a qualquer bola.

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