O governador de Pernambuco, sr. Eduardo Campos, tem se mostrado indiferente à vontade do ex-presidente, sr. Lula, seu pai político.
O varão, entretanto, dá sinais de, pela proximidade dos últimos anos que teve com o ex-presidente conterrâneo, ter aprendido sobejamente manobrar indiretamente na política, de modo que aqui e ali vislumbram-se ações que demonstram uma desenvoltura de bastidores bastante hábil.
O sr. Eduardo Campos teve uma carreira meteoricamente bem sucedida, parte por pendores naturais, parte por herança do lendário governador, seu avô, sr. Miguel Arraes.
O sr. Lula, por outro lado, nem de longe teve essa condição e, comparativamamente ao governador de Pernambuco, lutou muito mais para chegar onde chegou, consolidando e refinando a técnica observatória a ponto de nadar de braçadas uma piscina inteira de piranhas em dois mandatos.
A transferência de conhecimento, então, tem se dado de maneira perfeita a favor do sr. Campos, que recebe graciosamente as planícies políticas pelo sangue, ao mesmo tempo que acumula o saber repisado do sr. Lula pela simpatia aparentemente gratuita a ele dispensada, sem o aparente compromisso de gratidão.
Como em política há menos bobos de que fios de cabelo na cabeça do sr. Espiridião Amin, em verdade ambos lançam mão de cálculo e régua.
O sr. Lula, de olho em 2014 e se a saúde assim permitir, cuida de trazer para perto de si um potencial candidato à sucessão de d. Dilma Rousseff, para quem já olha de soslaio, de quem vê muito mais as costas atualmente.
A proximidade serve como um adjutório ao controle, à rédea curta, ao conselho desviante; no máximo, a metamorfose kafkiana aceitaria a proximidade apenas para uma condução à cadeira da vice-presidência.
O sr. Campos, por seu turno, também pensa em 2014 e parece não acreditar no vigor físico do antigo mestre e desde já sugere desejar o descolamento de alguém que poderá cair rapidamente no esquecimento, um peso morto a falar de passado e não muito abonador após o julgamento do Mensalão.
Tanto parece ser assim que o sr. Campos não teve nenhum prurido de
gratidão pelo passado, ao retirar o apoio ao PT na prefeitura de Recife,
tão a gosto do sr. Lula.
Ajudando, por cálculo ou não, a pôr a antiga locomotiva da política nacional no desvio enferrujante e inerte e acreditando na implosão do Partido dos Trabalhadores por esgotamento iconoclasta de sua maior figura, outrora a manter o núcleo atômico do partido estável, o sr. Campos trata de incorporar, trazer para sua imagem, o que havia de esperteza naquele, numa metempsicose política total, principalmente o lado carismático dos palanques.
Desacostumado a coisas como esta, o sr. Lula parece ainda sorrir de esperança, pronto para matar um cordeiro no altar da paternidade em honra de um filho pródigo que não promete e nem aparece na casa paterna.
Resta, entretanto, combinar ainda com a d. Dilma Rousseff, que parece estar gostando da posição em que se encontra.
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